Criatividade: o que você ainda não sabe sobre tudo que já foi dito?

Inovação, disrupção, sustentabilidade e, claro, criatividade. Não dá pra dizer com precisão qual dessas palavras, atualmente, teve o seu significado mais esvaziado. Acontece que, para além dos modismos, todas têm um recado precioso para quem busca fazer diferente em meio ao caos. E é da criatividade, especificamente, que iremos falar nesse texto. 

Antes dos anos 50, a criatividade era considerada uma inspiração divina — ou seja, se você não tinha a sorte de recebê-la dos céus, tampouco poderia incentivá-la e desenvolvê-la ao longo da vida. Acontece que em um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo, essa teoria cai por terra. Frente a velhos paradigmas e novos desafios, torna-se cada vez mais necessário buscar soluções inovadoras.

E se você acha que isso é papo de millennial ou de geração Z, está enganado. Há diversos estudos que comprovam como o cérebro é amplamente estimulado por ambientes criativos. Uma pesquisa da empresa norte-americana Haworth apontou, por exemplo, que, quando se trata de pensar no design de um escritório, a cultura organizacional é mais importante que a eficiência e o desempenho. Nesse sentido, empresas que buscam inovação e criação, devem apostar em áreas mais informais e com poucos espaços restritos e fechados.

O fato é que em algum momento da vida profissional — quando não em vários, a depender do emprego que tenhamos — somos cobradas e cobrados por ações criativas. Uma pesquisa da Insperiência, de 2018, mostrou que mais da metade (59,5%) afirma que as empresas pedem para que sejam criativos ou que tragam soluções criativas. Dos entrevistados, apenas 5% disse não se considerar um profissional criativo. Agora, o dado, talvez, mais importante: apesar de mais da metade se sentir cobrada pela criatividade, apenas 25,6% afirmam que as empresas a incentivam.

Mas se o assunto não é novo — e seus benefícios são comprovados — por que tantas empresas ainda não olham com atenção para ele? 

“O termo ficou batido porque ficamos muito tempo tentando definir criatividade no mundo dos negócios e gastamos pouco tempo tentando desenvolvê-la, verdadeiramente, dentro do ambiente corporativo. Precisamos mudar a maneira como abordamos o conceito. Se a gente tentar desenvolver esse potencial, vai entender que um primeiro passo bem simples é fazer com que as pessoas se sintam protagonistas. O segundo, é ter uma escuta ativa, é dar espaço para arriscarem, errarem, testarem novos caminhos. A partir daí, já estaremos fomentando essa skill.” 

Jean Rosier, founder da Perestroika e sócio e professor da SPUTNiK

Uma pesquisa da Steelcase Creativity e The Future of Work Survey aponta que 77% dos funcionários ouvidos acreditam que a criatividade é a habilidade do século 21. Por isso, apostar em ambientes que prezam por essa habilidade, é, inclusive, uma forma de reter os talentos conquistados pelas empresas. a lógica é de ganha-ganha: quando as pessoas têm a opção de estarem em um ambiente mais flexível e livre, a criatividade é desencadeada e a produtividade aumenta — 12% a mais, segundo estudo da Universidade de Warwick, do Reino Unido

Tudo indica que a temática, portanto, já esteja na boca do povo, mas sabemos que nem sempre destravar processos criativos é tarefa simples. Por aqui na SPUTNiK a gente aposta nas três principais habilidades para 2020, segundo o World Economic Forum, para conseguir pensar e agir fora da caixa: a capacidade de solucionar problemas complexos, o desenvolvimento de pensamento crítico e, claro, o incentivo à própria criatividade. É o nosso segredo não tão bem guardado — porque, afinal, do que vale saber e não compartilhar, não é mesmo? 🙂

Protagonismo: a faísca que faltava para seu time ir além

Lembra daquele profissional enaltecido no universo corporativo, que dava check nas tarefas quase mecanicamente e cumpria ordens sem questionar? Então, ele está cada vez mais fora de moda e a gente conta, abaixo, o motivo. 

Até a década de 90, reinava a lógica do universo corporativo paternalista, que entregava nas mãos de seus colaboradores um plano de carreira pré-definido. Dali para a frente, cabia ao profissional galgar os degraus de acordo com a cartilha ditada — e quem seguia à risca, obviamente, acabava se dando melhor. Mas, ao final da década, as mudanças econômicas, a imprevisibilidade dos negócios e, principalmente, a transformação digital começaram a derrubar esse modelo já um tanto obsoleto. 

Se antes a média de permanência nas empresas era de 12 anos e meio, agora a necessidade de ajustes rápidos nas estruturas fazia com que a empregabilidade se tornasse (ainda) mais instável. O plano, antigamente linear, começou a ganhar outros contornos e passamos a nos movimentar mais entre um trabalho e outro. Ao mesmo tempo, chefes e RH deixaram de ter, na ponta da língua, todas as respostas e diretrizes que a equipe precisava ou esperava. Foi nesse cenário que o protagonismo despontou como solução para o desenvolvimento de profissionais mais independentes e confiantes, que exercem, de fato, o poder de escolha. Aqueles que passaram a apostar em autoconhecimento e a desenvolver maior senso de responsabilidade começaram a contribuir não só para a diversificação do conceito de trabalho, mas também para relações profissionais mais saudáveis e para um mercado mais dinâmico. E, agora, vem a boa notícia: o protagonismo é uma skill que pode ser desenvolvida e nutrida e que é, sim, possível para qualquer pessoa. 

“Todo mundo é protagonista em alguma coisa. Pra mim, pela minha experiência principalmente com o intraempreendedorismo, o que fica claro é que temos de entender o que faz nosso coração bater, o que faz a gente ter tesão e vontade de fazer algo além do que só o que simplesmente nos mandam executar. É muito importante entender que a motivação não é algo externo, mas uma fagulha interna. E ela só vai aparecer em cima de algo que faça sentido para você.” 

Mariana Achutti, founder e CEO da SPUTNiK

E por falar em intraempreendedorismo, um breve desvio no artigo para indicar um material precioso desse braço essencial do protagonismo: o texto É criatividade que você quer? Comece a pensar em intraempreendedorismo e o artigo The Intrapreneurship Evolution, em inglês, com quatro razões do porquê tal cultura pode transformar a narrativa do universo corporativo.
Leituras para abrir, por aí, a caixinha de ideias 🙂

Agora, voltemos.

A mudança de mindset 

Embora o conceito de Protagonismo profissional já demonstre, na prática, inúmeros benefícios, sua implementação ainda enfrenta a mentalidade vigente no século passado. Desde a virada do milênio, o Instituto Gallup realiza pesquisas sobre o engajamento profissional em diversos países do mundo. Um dos itens estudados (expectativa do plano de carreira) aparece nos três pontos de maior valorização das pessoas em 80% dos estudos. 

É aí que empresas avant-garde tomam a dianteira. Aquelas conectadas com o espírito do tempo já estão olhando para a temática e, inclusive, trazendo a discussão (e a prática) para o dia a dia corporativo. Em 2019, o iFood reuniu 80 funcionários de sua equipe comercial, em São Paulo, para uma imersão no curso Vai lá e faz. Durante um dia inteiro, nossos professores facilitaram experiências para que os participantes aprendessem a construir espaços que valorizassem a caminhada de cada um — criando, assim, times mais autônomos, protagonistas e inovadores dentro da organização. 

Ao universo corporativo, fica, então, o desafio de preparar lideranças para receber essa nova geração de protagonistas, criando ambientes em que se sintam livres para opinar, sugerir, agir, inovar. O chamado é agora: ou nutrimos essa nova skill entre nossas equipes ou teremos profissionais atuando ainda no mindset antigo, esperando que sejam guiados pela mão até um determinado posto hierárquico. E, convenhamos, em um mundo cada vez mais complexo, queremos um time capaz de responder, com autonomia, aos desafios que aparecem durante a escalada, não é mesmo?

O sonho da Universidade Corporativa própria

A receita de bolo já está dada: se uma determinada empresa visa o crescimento coletivo, investir no capital humano é parte inegociável do plano. Por isso, 2019 cimentou as Universidades Corporativas como pilares fundamentais para marcas que não querem ficar fora do jogo. Verdadeiros laboratórios de aprendizagem, as UCs são espaços estratégicos de desenvolvimento para colaboradores, fornecedores e até mesmo para clientes. 

Nesse contexto, apostar em internalizar o processo, em trazê-lo para dentro dos próprios ambientes de trabalho, foi um grito de alforria do universo corporativo frente às instituições de ensino superior tradicionais. Mais autônomas, as empresas tomam as rédeas de seus próprios negócios e criam unidades — presenciais ou online — de acordo com suas necessidades e com as demandas de seu quadro de colaboradores. É uma iniciativa-chave para, no fim das contas, posicionar-se à frente na corrida competitiva em que o conhecimento exigido dos profissionais muda a galope. 

Na SPUTNiK vemos o treinamento de pessoas como uma jornada de autoconhecimento — dos colaboradores e da própria marca.

E se lá atrás as UCs surgiram para preencher lacunas de hard skills, aos poucos novas demandas passaram a desafiar a forma como nos desenvolvemos profissionalmente. A transformação digital que tanto falamos, aliás, foi a aceleradora deste processo. 

Conhecer as regras para depois quebrá-las

First things first: antes de entender como adaptar a Universidade Corporativa ao formato do seu negócio, é preciso entender como esse sistema de ensino funciona. Mais que uma universidade, o objetivo da UC é ser uma ferramenta estratégica voltada aos objetivos de determinado negócio. Ou seja, na prática, isso quer dizer que os benefícios irradiam para todos os lados — desde os colaboradores, passando pelas lideranças e chegando à empresa como marca. Retenção e desenvolvimento de novos talentos, estímulo a um ambiente corporativo mais saudável e aumento das vantagens competitivas são apenas algumas das benesses que esse sistema pode trazer. 

Com as bases já bem construídas, podemos, enfim, pensar em começar a quebrar os muros. Expandir o olhar é um primeiro passo: em vez de oferecer treinamentos engessados, em que o objetivo primeiro e único é otimizar o trabalho do profissional, por que não investir numa formação mais ampla, que olhe para o ser humano que há por trás de cada crachá? Times mais felizes, sabemos, trazem mais resultados. Outro caminho é inovar na forma de entregar o conhecimento que desenvolverá competências essenciais nos times. Mesmo estando alinhada à missão de uma determinada empresa, nada impede que a UC propague aquele jeito quadradão de ensinar. Aqui na SPUT, nosso propósito é provocar mudanças no universo corporativo por meio de uma educação criativa e disruptiva. Porque não faz muito sentido espalhar conhecimento por aí se não for de forma leve, divertida e, claro, com muita mão na massa. 

Imersão disruptiva criada especialmente para aula com times do setor de fraudes do Mercado Livre

Se não agora, quando? 

Já é fato consumado que a nova economia pede uma revisão do modelo corporativo atual e que uma Universidade Corporativa pode ter papel fundamental nessa transformação, mas será que há momento correto para colocar a iniciativa de pé? Mariana Achutti, founder e CEO da SPUTNiK, diz que investir nas jornadas de aprendizagem é o único caminho possível para que equipes desenvolvam as habilidades do agora. “Investir em capacitação é não só uma certeza de retorno financeiro como também uma possibilidade de ver a inovação tão desejada acontecer de fato. E para isso não tem um momento ideal. Podemos falar, claro, em algumas circunstâncias mais apropriadas — como disponibilidade de recursos financeiros para educação — ou até em um certo grau de amadurecimento e abertura da empresa para temas relevantes que precisam ser desenvolvidos, mas a verdade é que não podemos continuar cobrando do profissional de hoje algo que ele não foi ensinado. E é aí que o universo corporativo tem um papel quase que social de formar esse novo profissional. Sem deixar para amanhã, sem esperar condições perfeitas para fazer essa transformação acontecer”, explica. 

O futuro não espera e quem fomentar reflexões alinhadas aos valores contemporâneos entre os seus sairá muitíssimo à frente. E o melhor é que apostar nas UCs é uma equação ganha-ganha: a empresa ajuda a preparar pessoas para o mundo e, em contrapartida, mais felizes, os times passam a olhar para o mesmo horizonte da empresa. Parece promissor, não parece? 🙂 

Boa comunicação no trabalho é a habilidade-chave para crescer profissionalmente

Para se comunicar melhor, é importante ser um bom ouvinte. Se temos uma mensagem em mãos e estamos ansiosas e ansiosos para compartilhar com o mundo, é importante encontrar o tom de voz adequado e que converse, de fato, com o que público deseja — e é capaz de escutar. Se a plateia é seu time, então, muito cuidado nessa hora. Com o Choro Solto, desconstruímos os padrões que, normalmente, estamos acostumados a atribuir à ideia de um bom orador.  Aqui, unimos a ciência da oratória com habilidades socioemocionais que nos ensinam que a comunicação no trabalho é mais do que uma ponte para conectar ideias ou convencer pessoas. Revela de que forma somos sensíveis às demandas e vulnerabilidades de quem nos cerca. 

A seguir, abrimos o jogo e contamos um pouco do que sabemos sobre o assunto. Vamos mostrar por que a comunicação no trabalho afeta diversas camadas da relações cotidianas, a ponto de ser um termômetro para medir como está o equilíbrio de nossas relações.

As dores e violências que ameaçam uma comunicação saudável e eficiente no trabalho

A comunicação é um fator primordial nas nossas relações. Afinal, somos seres sociáveis, e construímos nossos relacionamentos a partir dos vínculos que somos capazes de criar. Da mesma forma, a comunicação no trabalho acaba sendo a base para que todos os processos ocorram, uma vez que deve haver um entendimento entre os colaboradores sobre os objetivos a serem alcançados e o papel que cada um deve desempenhar durante todo o percurso. 

Os dados confirmam: para um ambiente de trabalho produtivo, e que engaja, os colaboradores contam com mensagens de colegas e de seus líderes para saber para onde ir, enquanto também esperam ter espaço para transmitir suas próprias opiniões. De acordo com uma pesquisa recente, empresas estão dispostas a investir mais de 50% do tempo com a comunicação no trabalho. Ao mesmo tempo, entre as habilidades socioemocionais em destaque pelo Fórum Social Mundial, encontramos o trabalho em equipe como uma das maiores demandas do mercado de trabalho para 2020. E, para trabalhar de forma produtiva com outros profissionais, o diálogo é um fator decisivo para o jogo. 

Para compreender de que forma é possível construir um olhar mais sólido para a comunicação no trabalho, o ambiente organizacional também está cada vez mais atento a diversas colaborações de estudos acadêmicos que, nas últimas décadas, procuram entender as dimensões da comunicação como uma estratégia de resolução de conflitos e de diagnóstico de ameaças. Entre elas, destaca-se a de Estudos para Paz (Peace Studies), teoria que se tornou em movimento, oficialmente, nos anos 90, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), mas começou a ser desenvolvida já nos anos sessenta pelo sociólogo e matemático norueguês Johan Galtung. A teoria trabalha com o conceito de paz como o estado de ausência da guerra, contribuindo, portanto, para compreender os estados da violência e como apontar saídas para silenciá-los. A UNESCO ainda sintetiza os Estudos para Paz como uma proposta “intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não violenta de conflitos”, baseando-se em princípios de tolerância, solidariedade, respeito à vida, aos direitos individuais e ao pluralismo.

E se os Estudos para Paz foram utilizados, originalmente, para desenhar diálogos em contextos de conflitos de guerra, ou em ambientes educacionais e outros espaços de coletividade sociais, hoje essa teoria está sendo reconhecida como um dispositivo de identificação e combate da violência em espaços corporativos. A partir dela, podemos compreender, por exemplo, de que forma a ausência da comunicação no trabalho, ou sua má prática, pode deflagrar em conflitos com consequências danosas para a organização e para seus indivíduos. E a partir desse entendimento, quais são os caminhos para um diálogo mais acolhedor, conciliatório e, portanto, menos excludente, principalmente quando estamos discutindo, cada vez mais, a presença de grupos que ainda assumem um papel marginalizado no mercado de trabalho. 

Professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Comunicação da Faculdade  de Arquitetura Artes e Comunicação (FAAC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Raquel Cabral dedica-se, entre outros temas, ao estudo da comunicação para paz em ambientes corporativos, e recentemente passou a investigar a presença do fenômeno da violência organizacional. “Ao pensar a cultura da paz no ambiente organizacional,caberia refletir sobre todas aquelas ações que levariam a uma mudança da cultura organizacional  capaz de desconstruir valores, comportamentos e discursos que legitimam a violência cultural: machismo, preconceito étnico-racial, homofobia, preconceito etário, xenofobia, entre outras formas de violência que são naturalizadas no contexto das organizações”, explica. 

O roadmap para um ambiente de trabalho construído pelo diálogo 

Para imaginar e criar qual seria a situação ideal para a comunicação no trabalho, é importante desenvolver um olhar sistêmico. A partir do entendimento de como devem ser estruturadas as relações entre os colaboradores, surge o momento de fazer os ajustes em tudo o que coloca a empresa longe desse objetivo. É importante que haja espaço para a revisão de questões da própria cultura da empresa, que podem contaminar o ambiente de uma forma negativa e irreversível. 

  1. Reveja as métricas 

Se o mercado está cada vez mais atento às bases das relações entre seus colaboradores, ainda encontramos uma cultura de competitividade que afeta até mesmo os relacionamentos internos. Para lidar com a contradição entre a necessidade de um negócio eficaz e, portanto competitivo, mas ao mesmo tempo saudável para o time, Cabral recomenda repensar o papel que damos às métricas que definem o sucesso dos negócios.  “Acredito que para dar lugar a um ambiente não violento e acolhedor da diversidade cultural, social, de gênero, étnico-racial, sexual, etária, entre outras nas organizações, será necessário romper com a ideia de performance. Penso que este é um dos maiores desafios atuais das organizações, principalmente das privadas, em que a questão da competitividade é um elemento fundamental. Contudo, há iniciativas interessantes de algumas organizações privadas que buscam equilibrar essas assimetrias criando outras dinâmicas de trabalho em que a performance não é um elemento central”.

  1. Posicione-se 

Trabalhe a insegurança que, por vezes, aos olhos dos colegas, pode ser confundida com hostilidade ou desinteresse. Não hesite em compartilhar sua visão sobre as coisas. Claro, há muitas formas de fazer isso sem que haja a criação de conflitos desnecessários. Leia mais sobre e coloque em prática os aprendizados da comunicação não violenta. Conquiste segurança investindo em técnicas de oratória. Com assertividade, clareza e empatia, o que você fala vai estabelecer pontes que o silêncio poderia transformar em barreiras.

  1. Entenda quem está ouvindo 

Para quem é a sua mensagem? É o primeiro questionamento que deve ser feito para uma comunicação no trabalho que realmente funcione. Cada indivíduo possui um repertório e uma vivência de mundo distintas, elementos culturais que, se uma vez não são respeitados, são armadilhas perfeitas para conflitos e outras violências. 

Também vale pensar nos canais que você utiliza para transmitir sua mensagem. Se for importante documentar decisões, experimente o e-mail. Mas sempre alinhados a um diálogo olho no olho que é fundamental para um ambiente de trabalho mais humanizado, e motivador.

  1. Escute, sem medo 

Para uma comunicação no trabalho equilibrada e, portanto, saudável, é essencial enxergar quem está do seu lado. Mais do que saber falar, reiteramos, é preciso aprender a ouvir. Afinal, a Comunicação Não Violenta — novamente ela — nos ensina que todos nós temos necessidades e a negociação nada mais é que um processo de dar espaço ao que o outro necessita e encontrar caminhos compensatórios para todos os envolvidos. Desenvolver a capacidade de escutar genuinamente apenas potencializará a sua própria mensagem, uma vez que haverá um acordo mútuo de entender e tentar trabalhar com as demandas de cada uma das pessoas que está com a gente. 

A comunicação no trabalho não pode ser subestimada. Pense em quantas situações tudo parecia ir bem mas, a partir de um pequeno desentendimento na equipe, veio à tona uma série de ruídos que há muito tempo desequilibrava o ambiente? Como vimos, problemas de relacionamento podem acarretar conflitos com consequências mais sérias para a saúde do colaborador e, até mesmo, para o futuro das empresas. Saber como inserir sua mensagem, portanto, também é saber como dar espaço e vida a um um ambiente humanizado de trabalho, em que leveza e liberdade estejam a serviço de extrair o melhor de cada um dos colaboradores. 

Virou gestor? Agora é hora de saber como ser um bom líder

Você se preparou para isso mas, ainda assim, o baque foi forte. De colaborador, você agora integra um dos quadros de gestão da empresa. Tenta respirar fundo, mas a ansiedade fala mais alto. No curso Virei Gestor, e Agora?, trabalhamos com a perspectiva de que para ser um bom líder é necessário priorizar um relacionamento humanizado com o seu time. Mais do que passar autoridade, é necessário passar motivação, e, para isso, precisamos antes de tudo entender um pouco mais sobre nós mesmos e como nosso lugar no mundo impacta no espaço do outro. Com lições de agilidade, criatividade e de inovação, a SPUTNiK mostra que é possível e necessário capacitar-se para o mercado e, ao mesmo tempo, conhecer um pouco mais sobre si mesmo.

A seguir, explicamos por que a gestão deve ser trabalhada como um exercício de liderança e vamos apresentar algumas dicas sobre como ser um líder inspirador e engajador — em vez do famoso líder temido de Maquiavel. 

Como ser um bom líder impacta o DNA de uma empresa 

Há muitas rotas que podem levar a um cargo de gestão. Pode ser uma etapa natural após anos de mercado em que um profissional conheceu todos os níveis hierárquicos presentes em sua área — ele foi estagiário, trainee, júnior, pleno, até chegar ao nível sênior que o levou à gestão. Ou pode ser um momento inesperado, uma promoção que foi fruto de um desempenho considerado acima da média ou que atende às demandas complexas do mercado de trabalho atualmente. Afinal, em tempos de transformação digital, ganham terreno não só as competências técnicas, mas as soft skills que permitem que um gestor esteja capacitado para acompanhar o desempenho do seu time e motivá-lo a ser produtivo e inovador, mesmo em situações desafiadoras e de alto risco. Ganha, portanto, espaço para um olhar de liderança sobre a gestão. Ainda não sabe a diferença?

Se gestão é sobre planejar, conduzir e acompanhar uma equipe, liderança é sobre inspiração. Gestores propõem direcionamentos. Líderes trazem questões ao time que vão engajá-los a encontrar respostas que façam sentido às suas próprias experiências.  E se gestores falam o que deve ser feito, líderes apresentam alternativas ou caminhos que, novamente, só serão trilhados se isso fizer sentido de uma forma coletiva. E, por fim, se temos na figura do gestor um dos heróis da empresa, o líder trabalha o protagonismo de cada um dos seus colaboradores, compartilhando, entre o time, a noção de poder, ou de capacidade de fazer a diferença. 

Dessa forma, hoje, há uma valorização crescente do gestor que se posiciona como líder. Já é quase consenso de que esta postura é fundamental para acompanhar uma época em que há mais questionamentos sobre modelos de trabalho do passado e que, com um mundo global, imerso na cultura do digital e cada vez mais sensível à experiência do usuário, não funcionam mais. E para pensar fora da caixa em busca de soluções mais inovadoras, uma empresa que tem no seu quadro profissionais que saibam pensar o processo de gestão como a arte de ser um bom líder já disparam na frente. 

Especializada em estudos sobre gestão de pessoas, a consultoria Gallup realizou diversas pesquisas para entender o lugar e os desafios do gestor no ambiente de trabalho, em investigações que acompanharam contextos corporativos de diversas reuniões do mundo. 

Encontramos insights que ajudam a compreensão e a prática da figura do gestor como um agente de liderança a partir da percepção de como ele vai impactar os rumos da empresa. Entre eles, temos:

      1.   A experiência do colaborador importa e o líder pode ser fundamental para a retenção de talentos 

Apenas 12% dos entrevistados sentem que foram bem inseridos nas empresas. Qual deve ser o papel do líder nesse processo de onboarding? A pesquisa associa a questão com o dado de que 52% dos funcionários que haviam migrado de empresa associam a saída com o nível de recepção de seus superiores em todos os momentos em que trabalharam, do começo ao fim. Temos, portanto, a percepção de que um bom líder é um agente de retenção de talentos. 

     2. Companhias ágeis precisam de grandes líderes

As metodologias ágeis conquistaram a atenção do mundo corporativo. Mas, segundo a pesquisa da Gallup, menos de 20% dos funcionários entrevistados reconhecem que trabalham em uma companhia ágil ou são geridos por um líder adepto da metodologia. 

     3. O burnout ainda é um problema e pode ser sintoma de uma gestão inadequada

67% dos funcionários entrevistados sentem que estão vulneráveis a estados de burnout (crises de esgotamento de trabalho que a OMS já indicou como um dos principais impulsionadores de doenças de trabalho). E entre os motivos para essa condição, muitos afirmam que relacionamentos tóxicos com colegas, sobretudo com líderes, estão entre os principais gatilhos. 

     4. A gestão de performance ainda deixa a desejar 

De cada dez profissionais ouvidos pela Gallup, três reclamaram de não recebem feedbacks dos seus líderes, sentindo que, em muitos momentos, trabalham no escuro. Um alerta vermelho sobre a forma com a qual gestores estão cada vez menos preocupados com a gestão de performance de seus colaboradores — o que, muitas vezes, pode aumentar estados de ansiedade, estresse e insegurança, prejudicando no desempenho da equipe.      

Sabendo dos principais desafios que a arte da liderança ainda enfrenta no mundo todo, fica mais fácil direcionar a bússola para ser um bom líder. 

Alguns hacks para uma boa liderança 

  1. Reconheça suas vulnerabilidades 

Você é um líder de primeira viagem, portanto, não está imune a falhas e inseguranças. Não hesite em ouvir conselhos de quem já está na estrada há mais tempo que você. Ou de procurar cursos, livros e outras alternativas para se fortalecer enquanto liderança. Afinal, temos conceitos que até reconhecem os diversos momentos do cargo de gestão, como o pipeline de liderança. 

  1. Adote uma postura incansável em relação ao seu aprendizado

O lifelong learning experience é uma visão de mundo que não pode parar quando atingimos posições seniores. Portanto, atualize-se sempre, ainda mais hoje em que estamos vivendo uma época de transformação digital, com mudanças constantes que já são o status quo do mercado. 

  1. Incentive o compartilhamento de valores mas saia da zona de conforto

É importante fortalecer o propósito que engaja cada um dos seus colaboradores, sintonizando-os para um objetivo comum a ser trilhado por todos. Mas se certifique de que está lidando com indivíduos que carregam sonhos e motivações totalmente distintas entre si, afinal, mais do que alcançar metas, você é responsável por conduzir implementações que, de fato, vão trazer impactos reais para a empresa — algo que pode não acontecer caso a equipe esteja presa aos mesmos vícios.  

Integrante da equipe de professores da SPUTNiK, especialista em cultura de pessoas e Head de Pessoas da ThoughtWorks, Grazi Mendes observa que o viés é um desafio presente em muitas empresas brasileiras. “Ainda impera a figura do gestor que prefere trabalhar com uma equipe enviesada ao seu olhar do mundo. Temos uma percepção muito forte, mesmo que muitas vezes involuntária, de que é mais fácil e mais produtivo trabalhar com pessoas que pensem iguais a nós, mas é impossível falar de diversidade e inovação nesses contextos porque ainda teremos indivíduos que olham para a mesma direção, em um momento em que a complexidade dos processos exige um olhar mais abrangente sobre tudo”, analisa.  

  1. Lute pelo intraempreendedorismo

Um outro problema que Mendes encontra em novos líderes é o sentimento de insegurança que, por vezes, pode levar a controles excessivos em relação ao time. “Temos situações em que a liderança é criada a partir da coerção, e não é possível criar em um contexto totalmente coercitivo, é preciso liberdade e segurança psicológica para que as pessoas se sintam seguras a propor soluções que, para a empresa, podem significar, lá na frente, respostas criativas e, sobretudo, inovadoras”, explica. 

Portanto, já sabe: faça com que os seus colaboradores possa ter acesso às chaves da empresa. O intraempreendedorismo pode ser implementado em diversos níveis. 

  1. Abrace a perspectiva da escuta 

Transforme conflitos em negociações. Temos, à nossa disposição, estratégias de escuta e de comunicação não violenta que são fundamentais para contextos em que, muitas vezes, pessoas de background e interesse distintos podem chegar a discussões que, se não forem mediadas a tempo, podem gerar situações de inimizade e falta de confiança que só prejudica as métricas — ao mesmo tempo em que polui um ambiente que poderia ser mais saudável para todos. Um bom líder cede a sua voz e exercita a empatia de forma incansável e sempre de uma forma imparcial e contrária a vieses pessoais. 

  1. Não tema o feedback 

Um líder compreende que está diante de um relacionamento dialógico com seu time, uma via de mão dupla. Para manter essa dinâmica ganha-ganha, portanto, é importante estar aberto a ouvir críticas. Crie uma atmosfera em que o colaborador se sinta à vontade para contar o que pode ser melhorado na relação de vocês. 

A liderança é um processo de amadurecimento profissional individual, que pode ser um divisor de águas na carreira de quem está prestes ou já assumiu a gestão. Por isso, devemos estar atentos à forma como ela acaba intermediando um ciclo que a empresa passa: partir da perspectiva micro, onde seus indivíduos se tornam verdadeiros líderes, e termina no macro, ou seja, quando isso impacta diretamente no desenvolvimento dos negócios.

Aprender a ser um bom líder ajuda a extrair do exercício da gestão uma prática criativa e inovadora em que o time, motivado por um ambiente intraempreendedor e colaborativo, sente-se mais à vontade para reinventar a própria história da empresa.

A biomimética pode ser a ferramenta de inovação que sua empresa precisa

“O que a natureza faria?”. Apesar de simples, pode ser revelador responder a esta pergunta. Ao mesmo tempo em que vamos nos confrontar com as próprias limitações da nossa humanidade, podemos entrar em um loop de culpas por decisões que só agridem o meio ambiente e, ao mesmo tempo, limitam nossa própria capacidade evolutiva. Mas calma, podemos ajudar. O curso Impact resgata a pauta que nunca deveria ter saído dos holofotes. A SPUTNiK convoca a responsabilidade social das empresas ao apresentar o passo a passo para serem  sustentáveis e, ao mesmo tempo, protagonistas que geram impacto e valor econômico positivos.

A seguir, vamos apresentar o conceito de biomimética, explicando como seus benefícios podem abrir portas revolucionárias para qualquer tipo de negócio.

Biomimética, um mindset para a inovação consciente

Das asas da libélula para micro veículos aéreos não tripulados. Dos ganchos de sementes para o velcro. Do formato do corpo do peixe cofre ao carro biônico. São exemplos de invenções que foram criadas a partir de um jogo instigante de mímica: a biomimética. Do grego bíos, que significa vida e, mímesis, que significa imitação, esta ciência engloba várias áreas do conhecimento — da engenharia à robótica. O termo foi criado em 1969, mas sua prática é muito anterior: o próprio velcro foi criado no final do século XIX,  a partir das indagações do engenheiro eletrônico suíço Georges de Mestral sobre a presença de sementes presas na sua calça após os seus passeios matinais com o cachorro. 

No decorrer dos séculos, cientistas de diversas áreas passaram a validar a natureza como um berço capaz de responder a todas às questões sociais, em qualquer época. Afinal, ela foi capaz de se reinventar durante todo esse tempo, a partir das suas próprias experiências com a evolução. Desenvolveu a resistência a partir da prática, entre outros aprendizados que, aos poucos, começam a ser utilizados como parâmetros de inovação. Ou seja, uma régua exata para medir até que ponto uma mudança gera, de fato, benefícios e outros valores estratégicos e sustentáveis.

Até que, hoje, encontramos um ambiente corporativo disposto a apostar na Biomimética como uma das maiores ferramentas de inovação dos nossos tempos. Atualmente, já reconhecemos a necessidade de um futuro cada vez menos manufaturado, tal como retrata o título desse artigo, que menciona as provocações trazidas não apenas pela biomimética, como também por diversas áreas do design cada vez mais conectadas com o meio ambiente. Também temos arquitetos que estão olhando para a ciência para pensar em cidades que estejam mais preparadas para o impacto das mudanças climáticas; entre outras propostas que vão das pequenas mudanças cotidianas até às respostas extraordinárias e que, conforme veremos a seguir, também estão totalmente ao nosso alcance.

Por onde começar 

Engenheira, pioneira em trazer da biomimética para o Brasil e CEO da consultoria Amazu, Giane Brocco enfatiza o teor democrático do conceito, que pode ser aplicado por empresas de diversas áreas e que estejam em momentos distintos de amadurecimento de negócios. “Hoje vivemos um momento do mercado em que estamos discutindo novos modelos de negócios e, até mesmo, novas lógicas para a economia. A Biomimética acaba conversando com quem já está vivendo esse diálogo e, aqui no Brasil em especial, podemos criar um celeiro de respostas inovadoras e conscientes a partir da observação da própria Amazônia e da riqueza de seu ecossistema. É algo que está ao alcance do olhar de todos”, celebra. 

Nesse TED, Giane também enumera diversos exemplos de soluções concebidas a partir da biomimética, que são ideais para se inspirar:

Mas, por onde começar? Temos algumas dicas que, certamente, já podem colocar a sua empresa a caminho de uma revolução consciente e de alto valor estratégico. 

  1. Situe o corpo como um bioma vivo de possibilidades 

Incentive a conexão do seu time com o meio ambiente. Ações de Team Building que tenham um olhar para a natureza, incentivando que os colaboradores enxerguem, uns aos outros e a si mesmos, como organismos biológicos que oferecem infinitas possibilidades de criação. Se estamos buscando inovação em asas de borboletas, em formas de corpos de peixes e em outros elementos de outros animais, identificar nossas capacidades de integração — tal como um verdadeiro bioma —, mutabilidade, como os camaleões,  e de fortaleza — dos nossos ossos até às nossas capacidades de resiliência —, estaremos mais abertos a processos mais criativos e engajados em equipe. Antes da inovação,é necessário uma mudança de mindset. Pensar a nós mesmos como tecnologias naturais é o primeiro passo. 

  1. Amplie as formas de olhar

Não é preciso ter uma área formulada de responsabilidade social voltada à sustentabilidade — ainda que, ao adotar a biomimética, haverá, de forma inevitável, a necessidade em ter uma equipe capacitada para se dedicar ao tema. Mas a biomimética desafia a um olhar sistêmico dos processos da empresa. Prepare-se para rever todas as tomadas de decisão realizadas até aqui. Reflita sobre o que já foi feito para otimizar processos. 

  1. Traga para o centro a Experiência do Usuário 

A Amazu, empresa de Giane, é parceira da SPUTNiK, e juntas criamos estratégias para sensibilizar as empresas do poder da biomimética através de cursos corporativos. “Entendemos que os líderes são fundamentais para a implementação de processos inovadores nas empresas. Logo, resgatamos, com eles, a ideia de implementar impactos positivos, e isso acaba passando, de forma inevitável, para a própria relação com a experiência do usuário que deve ser repensada pela empresa”, conta.  Vale lembrar que vivemos um momento em que temos consumidores cada vez mais conscientes dos deveres sociais das empresas, inclusive no que diz respeito à sustentabilidade. Ao mesmo tempo, temos usuários cada vez exigentes quanto à experiência durante todo o seu relacionamento com as empresas. Centralizar a Experiência do Usuário nos propósitos dos negócios, nos aproxima cada vez mais das possibilidades da biomimética, uma vez que estaremos mais atentos à diversidade de demandas que nosso público quer — e cujas respostas encontraremos, com mais disposição e criatividade, na própria natureza.

A Biomimética já está entre nós há muito tempo, mas só recentemente passou a ser reconhecida como uma zona de oportunidades inovadoras. Quem investir nela, portanto, terá em mãos um arcabouço de possibilidades que podem levar a capítulos surpreendentes para a empresa, alcançando uma posição de destaque por investir em mudanças que, além de agregar novos valores, também impactam de forma positiva toda a sociedade. 

Reconectar-se com a natureza para buscar oportunidades pode ser um caminho para reconectar-se com os propósitos do que somos — e do que fazemos.   

Habilidades do futuro no presente da sua empresa: é agora ou nunca

A pandemia, as incertezas e o isolamento social trouxeram à tona o desenvolvimento de habilidades que muitos de nós já temos incorporado ao nosso desenvolvimento, mas que ainda que estejam adormecidos ou presos às nossas próprias inseguranças. São as famosas soft skills: tão necessárias aos dias de hoje. Despertá-las ao mindset dos nossos times e colaboradores, no entanto, ainda é um desafio, e processos de educação in company podem facilitar, sendo a fagulha que falta para esse desenvolvimento acontecer de forma mais acelerada. Na SPUTNiK desenvolvemos uma curadoria customizada ao momento e às necessidades do seu time. E quer melhor momento para pensar nisso do que esse?

A seguir, vamos conhecer as habilidades do futuro que, ao ganharem os holofotes, já se tornaram onipresentes a ponto de trazerem o que era o amanhã para o nosso cotidiano.

Muito além do hype: habilidades do futuro já pertencem ao nosso hoje

Carros voadores, robôs como assistentes pessoais, máquinas do tempo. 2020 já foi um berço de ideias para inúmeros escritores de ficção científica e diretores de Hollywood. Agora que chegamos ao famigerado ano, observamos que quase tudo permanece no plano das conjecturas, ainda mais em um momento pandêmico em que o futuro prospero parece tão distante.

Hoje já temos empresas que investem em planos estratégicos para treinar times inteiros diante dos desafios da transformação digital. E cursos que por vezes trabalham com habilidades que vão muito além da técnica de criar e manusear tecnologia: estão focados, sobretudo, na capacidade de interpretá-la.

Inputs para correr atrás do tempo perdido 

A seguir, vamos relembrar quais são as dez principais habilidades do futuro, a partir das percepções do Fórum Econômico Mundial e de outros centros especializados na temática, em ordem crescente de importância. Para cada habilidade, selecionamos dicas de como despertá-la dentro de você:

10º lugar: Flexibilidade cognitiva

Envolve sair da zona de conforto. Pensar fora da caixa. Estar disposto a expandir a mente, ampliar as formas de exercitar o pensamento e a correr atrás de aprendizados que ainda não domina. 

Como desenvolvê-lo: Adote um mindset voltado ao Lifelong Learning. Fuja do comodismo e atualize-se constantemente com livros, cursos e eventos relacionados à sua área de atuação. Além disso, busque aprender habilidades novas e que não estejam necessariamente relacionadas à sua carreira profissional. Pode ser uma receita nova, um instrumento musical, um esporte. Amplie suas noções de conhecimento, entrando em contato com aprendizados não convencionais. 

9º lugar: Negociação

Consiste no gerenciamento de conflitos. Hoje vivemos um contexto de trabalho formado por equipes cada vez mais diversificadas — e isso é muito bom. Mas ideias muito diferentes, por vezes, podem levar a discordâncias que, se não forem bem administradas, geram um desgaste energético desnecessário, afetando a produtividade do time. Daí a importância de ter uma boa capacidade de negociação, uma skill que deve estar presente do colaborador ao gestor. 

Como desenvolvê-lo: Pratique a escuta ativa. Aprenda sobre comunicação não violenta e outras propostas de gerenciamento de conflitos, sobretudo no lugar do trabalho. Ao se colocar no lugar do outro e compreender discordâncias como uma etapa natural de nossas vivências profissionais, negociar torna-se uma prática mais eficaz e, principalmente, mais leve, já que deixamos de atribuir à prática um peso desnecessário, tão comum em ambientes em que não nos sentimos à vontade para discordar. 

8º lugar: Orientação de Serviço

Vivemos a era do Customer Success, em que a experiência do usuário importa a ponto de ser um valioso recurso competitivo para uma empresa. A orientação de serviço é a disposição para servir, oferecer as melhores alternativas para o cliente e para os próprios companheiros de equipe. 

Como desenvolvê-lo: Leia mais sobre a experiência do usuário e como o conceito está impactando os processos das empresas. Pratique a arte da gentileza e questione-se sobre quais esforços você está realizando para tornar a jornada do seu colega tão agradável e prática quanto você tenta para a sua própria? 

7º lugar: Julgamento e tomada de decisão

É a capacidade de dar a última palavra em situações de alta complexidade. É uma habilidade que ganha destaque diante dos desafios técnicos da transformação digital e da aceleração de processos. Se hoje discutimos cada vez mais o peso das metodologias ágeis nas empresas, é necessário ter uma atitude dinâmica, lógica e assertiva diante dos problemas cotidianos. 

Como desenvolvê-lo: Faça exercícios mentais em que você deve assumir uma atitude proativa a diversas questões do cotidiano, envolvendo hipóteses que ainda não viveu mas que são possíveis de sair do plano das ideias. Não fuja da responsabilidade no dia a dia, tente ser a pessoa que está envolvida na tomada de decisões da equipe. Estamos diante de uma habilidade que pode ser desenvolvida por cursos, mentorias e palestras, mas sua principal fonte de aprendizado, com certeza, vem da prática. 

6º lugar: Inteligência Emocional

Entre as habilidades que já são requisitadas hoje, a inteligência emocional é uma das principais e está relacionada com a nossa capacidade de gerenciar emoções conflituosas entre si em situações de muito estresse.

Como desenvolvê-lo: Em primeiro lugar, busque sempre o autoconhecimento. Tente filtrar de tempos em tempos o que funciona e o que é melhor deixar para trás. Faça exercícios físicos, procure métodos de meditação, tenha um tempo para você. E uma vez que estiver preparado para entender mais sobre o seu próprio lugar no mundo, pratique a empatia, ao estudar um pouco mais sobre as pessoas que estão ao seu redor. Hoje, temos livros e cursos que ajudam nesse processo, com universidades corporativas que entendem que, antes da técnica, é preciso fortalecer o olhar humanizado sobre o trabalho. 

5º lugar: Coordenação com os outros

É a capacidade de desenvolver relacionamentos interpessoais consistentes, saudáveis e produtivos. Em outras palavras, a capacidade de trabalhar em equipe, mais uma habilidade que ainda não conseguimos ensinar às máquinas e que, portanto, torna-se muito valiosa entre os profissionais mais almejados pelo mercado. 

Como desenvolvê-lo: Invista em ações de Team Building. Como colaborador, esteja sempre atento a estratégias de colaboração e de gerenciamento de conflitos. Pense no colega como alguém que está com a mesma missão em mãos e não como um concorrente. Tenha em mente que, antes de tudo, vocês têm metas a cumprir e isso só será possível se puderem garantir uns aos outros autonomia, conforto e espaço para compartilhar anseios e sugestões. 

4º lugar: Gestão de pessoas 

Estamos vivendo uma era de ressignificar processos de trabalho e isso não é diferente quando paramos para pensar sobre o futuro dos relacionamentos interpessoais no ambiente corporativo. Mesmo sem ocupar um cargo de gestão, o profissional do futuro precisará estar atento com as nuances das relações entre seus colegas, aprendendo a cultivar a motivação e o bem-estar, mesmo em períodos de grandes desafios. 

Como desenvolvê-lo: Fortaleça a cultura de pessoas da empresa. Isso mesmo, em tempos de transformação digital procure estar em dia com as novidades sobre os principais desafios e soluções da área de pessoas. 

3º lugar: Criatividade

A capacidade de conectar ideias diferentes, de fontes diferentes. E, a partir disso, gerar novos insights que, muitas vezes, vão se transformar em respostas inovadoras para os negócios. É uma das capacidades que justificam por que sempre estaremos à frente dos robôs. Afinal, ainda não aprendemos a programar máquinas para que desenvolvam algo tão complexo, e humano, como o potencial criativo.

Como desenvolvê-lo: Seja amante da arte. Leia livros, vá ao cinema, inscreva-se em cursos culturais. A cultura tem o potencial de expandir nossos parâmetros sobre o que é conhecimento, sendo algo primordial para que, nas situações cotidianas do trabalho, haja menos amarras diante de alternativas não convencionais de resolução de problemas. 

2º lugar: Pensamento crítico

É o uso do raciocínio e da lógica para criar argumentos favoráveis e contrários a qualquer situação. É uma habilidade valiosa porque, em situações de alta complexidade, esgotar os prós e contras pode ser o único caminho para encontrar a resposta mais completa ao que precisamos. 

Como desenvolvê-lo: Pratique a arte de questionar a si mesmo e aos outros constantemente. Leia e faça cursos que ajudem a dar mais confiança e consistências aos seus posicionamentos, uma vez que, quanto mais há um aperfeiçoamento técnico em relação aos desafios profissionais da nossa área, conquistamos mais confiança para fazer análises críticas de situações que, ao final, estarão nas nossas mãos para serem resolvidas.  

1º lugar: Resolução de problemas complexos 

A habilidade que lidera a lista tem tudo a ver com as mudanças da transformação digital, que atingiram um status permanente de fluidez e atualização — que nem sempre é possível acompanhar a tempo. O desafio é resolver questões com as quais nunca nos deparamos anteriormente. A resolução de problemas complexos é uma qualidade que se aperfeiçoa no decorrer dos anos, acompanhando a evolução profissional e nossa capacidade de aprendizado.   

Como desenvolvê-lo: Desafie-se constantemente. Exercite o cérebro com atividades lúdicas que incentivem raciocínio lógico e rapidez diante de problemas complexos. Em equipe, trabalhe com ações de Team Building que instiguem o uso de diversas competências cognitivas, ao mesmo tempo em que fortalecem o relacionamento da equipe, algo que será fundamental na hora em que for necessário o trabalho coletivo para resolver os maiores desafios do trabalho. E, por fim, não deixe de aprender, jamais. 

Vimos que as habilidades do futuro, em grande parte, estão relacionadas a desafios que já estão intrínsecos ao nosso DNA. Resiliência, capacidade de aprendizado e adaptabilidade são algumas das coisas que temos em comuns com nossos antepassados. Hoje, só precisamos encaixá-las aos passos da valsa techno eletrônica que vamos dançar amanhã. Até lá, ainda há tempo de ensaiar — mas não muito, viu? 

De onde vem as boas ideias? Descubra como acabar com o bloqueio criativo

Você se assusta quando dizem que estamos na era da criatividade? E ao se olhar no espelho entra em pânico porque não bota fé no seu gingado para resolver problemas complexos? No curso Processos Criativos, a equipe da SPUTNiK combate a síndrome do impostor, ajudando equipes e profissionais a protagonizarem uma das fases mais instigantes e cheias de possibilidades que vivemos hoje no mercado. Trabalhamos os principais pilares esperados do profissional do futuro em aulas que abusam da neurociência, da arte e dos processos criativos para despertar o pensamento crítico e voraz que está adormecido em cada um de nós. 

A seguir, vamos contar o que é o bloqueio criativo e por que você nunca está sozinho quando ele bate à sua porta. 

Bloqueio Criativo: o que é e sua engenharia reversa

É a tela em branco, que chega a piscar diante de nosso olhar cansado. É a dificuldade em preencher a primeira linha do caderno. E é, até mesmo, a reunião em equipe que não sai do lugar, pois estão todos se afogando no mesmo problema. Estamos diante do bloqueio criativo, um problema que assume diversas roupagens e aparece, quase sempre, sem pedir licença, sem momento e endereço certos. E todos nós estamos sujeitos ao bloqueio, principalmente em uma época em que somos acionados, a todo momento, a encontrar respostas rápidas para situações complexas, o que pode gerar a ansiedade, estresse e desespero ideais para que um buraco vazio surja em nossa mente. 

Podemos, no entanto, identificar alguns motivos que acabam levando à ausência de ideias e inspirações. 

  • Perfeccionismo

Um mal que também está na raiz de muitos problemas nossos — e que afetam a produtividade. Em algum momento, esquecemos do famoso mantra “melhor feito, do que perfeito” e somos acometidos por uma crise que não parece ter fim, em que esboços substituem outros até que chega um momento em que não conseguimos pensar em uma nova versão e, sem nos darmos conta, estamos acometidos pela febre da ausência de ideias. 

  • Procrastinação 

A procrastinação e o bloqueio criativo são situações que estão entrelaçadas; enquanto a primeira pode acontecer pela nossa incapacidade de encontrar uma saída diante do primeiro bloqueio em que esbarramos, a segunda também ocorre quando, diante da complexidade do que precisamos fazer, recorremos a atividades compensatórias, mas em momentos inadequados. E, ao ensaiarmos uma volta ao batente, já estamos presos em um loop de ações que nos tiram, definitivamente, fora do caminho que nos levaria ao foco que, provavelmente, desbloqueariam nossas ideias.  

  • Baixa autoestima

A falta de confiança é uma verdadeira caixa de Pandora. Quando a abrimos, saem problemas que formam uma névoa ao redor dos nossos pensamentos, levando-nos a simular as piores situações possíveis. Imaginamos que estamos sendo rejeitados graças à má qualidade do nosso trabalho, sentimos que ainda falta mais uma capacidade que nos leve ao primeiro passo — e acabamos entrando em um processo de aprendizado que sempre fica na teoria, escapando da prática diante do bloqueio de ideias.

  • A contraditória armadilha dsa múltiplas ideias 

Sim, ter muitas coisas em mente pode levar a uma rua sem saída. Podemos explicar esse paradoxo pela ansiedade causada pelo excesso de informação que carregamos e que, muitas vezes, ora nos deixa insatisfeitos, ora nos deixa indecisos. 

Algumas pílulas para sair do branco 

Felizmente, a criatividade — e sua perda — é um dos temas que mais atraiu a Ciência ao longo da História. Diversos filósofos, psicólogos, neurocientistas e profissionais de outras áreas dedicaram sua carreira a investigar de que forma o processo criativo ocorre, como podemos perdê-lo e, principalmente, o que fazer para resgatá-lo. No livro The Creativity Question, o psiquiatra Albert Rothenberg e o filósofo Carl H. Hausman, realizaram um compilado desses estudos famosos. Entre os textos, destaca-se o modelo do psicólogo britânico Graham Wallas, que estabeleceu quatro princípios por uma vida mais criativa e, portanto, mais imune a bloqueios:

Preparação 

Durante esta etapa, o problema a ser resolvido é investigado sob todos os seus ângulos, a partir do resultado de uma acumulação de repertórios individuais que nos permitem exercitar a mente para pesquisar, planejar e, por fim, encontrar elementos que vão contribuir para a libertação da nossa criatividade.

Incubação 

Temos um período de processo inconsciente, em que, se por um lado ocorre o que o autor define como fato negativo — ou seja, ainda não temos o problema resolvido, —, também vivenciamos o fato positivo, em que contamos com a aceleração de atividades mentais que, de forma involuntária, contribuem para que a solução esteja cada vez mais próxima. 

Iluminação

Os ingredientes já estão fervilhando na nossa mente. Agora é hora de dar mais um passo na receita: o momento em que passam a se formar os primeiros insights, que vão nos levar às nossas ideias maduras e criativas. Novamente, é importante ressaltar que elas vão surgir de forma livre e involuntária, mas depois de um longo processo de exercícios para que a mente produza associações entre nosso repertório pessoal e as próprias condições do ambiente. Apesar de ser uma etapa esclarecedora, Walls pondera, no entanto, que ela só acontece após tentativas frustradas de rascunhos associativos, e que podem durar longos períodos, e só terminam se persistimos na corrida. 

Verificação 

Aqui, retornamos a um momento consciente em relação aos nossos pensamentos, uma vez que precisamos validar os insights obtidos, uma ação que não pode ser involuntária. Verificamos se as respostas realmente condizem às nossas questões e, se não estão corretas, como podemos adaptá-las para que se transformem nas ideias que precisamos.  

E como podemos desenvolver o roadmap criado por Wallas? Há muitas práticas que podem jogar ao nosso favor, atuando como verdadeiros gatilhos para a ação. A seguir, selecionamos o que consideramos serem as respostas mais contundentes para o bloqueio criativo. 

  • Se jogue no flow

Dê boas vindas ao tédio e aprenda a abraçar a dificuldade. Mas cuidado com os freios. No livro A Muse and a Maze: Writing as Puzzle, Mystery, and Magic, o escritor Peter Tuchi explora os caminhos para o desbloqueio da escrita, mas que são aplicáveis para encontrar a resposta para todo tipo de bloqueio. A partir de estudos da neurociência, da exploração de cases reais e dos depoimentos de diversos autores ao longo da História, além da própria vivência pessoal com o tema, Tuchi esboça o flow criativo que precisamos criar para combater o bloqueio criativo: crie objetivos, fuja de distrações, estabeleça um canal direto de feedbacks consigo mesmo e desafie-se continuamente. O importante é que, uma vez que os jogos comecem, não haja vontade de apertar o restart ou de voltar à primeira casa do tabuleiro. 

  • Disciplina

Compre um planner, estabeleça horários e adote o gerenciamento de tempo como uma atividade obrigatória para cuidar da sua criatividade. Estamos falando de um fator que, quase sempre, exige liberdade de escolhas na nossa vida, mas podemos ser livres com responsabilidade, não é mesmo? A disciplina não poda a nossa capacidade criativa, pelo contrário: faz com que criemos um relacionamento mais saudável, e realista, com as nossas ideias. 

  • Não reprima as suas paixões

Tenha em mente que o bloqueio criativo é uma situação que não acontece apenas naquelas tarefas que são apenas obrigatórias e, portanto, não nos causam qualquer tipo de satisfação. Sabemos que artistas são devotos às suas produções, por exemplo, mas são os que mais sofrem com o problema. Uma resposta, quase sempre, é desatar os nós. Não tema as ideias que prometem caminhos longínquos à nossa zona de conforto. Trabalhe o seu foco para capturar as múltiplas ideias fora da caixa e transformá-las em respostas que antes eram inimagináveis. Ao acostumar nosso cérebro a abraçar o inusitado, fortalecemos nossos neurônios a não temerem o bloqueio quando ele ameaçar bater à porta. 

  • Aprenda com a arte

Use e abuse de filmes, livros, peças teatrais, músicas, exposições de artes. Alimentar um repertório cultural ajuda a exercitar a mente, deixando-a preparada para as maratonas de ideias que precisamos ter ao nosso alcance no dia a dia. Ao mesmo tempo, a arte tem o potencial de ampliar nosso olhar em relação ao conhecimento, e ficamos mais aptos a estabelecer uma relação mais leve, fluida e livre com os critérios que adotamos para as nossas tomadas de decisão.

As dicas que acabamos de passar podem não ser a resposta definitiva para a erradicação do bloqueio criativo em nossas atividades, mas com certeza ajudam a torná-lo em um problema mais fácil de ser controlado. O importante é não deixar a peteca cair: insista sempre. E, acima de tudo, não transforme o bloqueio criativo em um fardo. Quando o trabalho não estiver rendendo, beba água, apague as luzes, e desconecte-se. Só não vale entrar em um estado permanente de hibernação, ok? 

Economia circular: uma nova forma de encarar o consumo (e a produtividade)

Extrair, transformar e descartar. Temos uma relação linear com os produtos que fazemos e consumimos, mas você já parou para pensar como adotamos um mindset tão diferente do que é adotado pela natureza e, até mesmo, por outras relações que temos na nossa vida? Essa é a provocação da Economia Circular, conceito que se baseia nos ciclos biológicos para pensar em formas de produção de capital que sejam, tal como o nome diz, cíclicos. A partir dessa lógica, em vez de materiais já manufaturados serem descartados após o uso, passariam por uma etapa de redesign que os levaria, novamente, para a cadeia de produção. 

Mas como absorver isso, de fato, no dia a dia da empresa? Com o Impact, a SPUTNiK ajuda a reprogramar o olhar sobre nossas relações com o que produzimos, consumimos e descartamos. A sustentabilidade assume o fio condutor da nossa trilha de atividades, e, ao final do curso, os alunos são capazes de identificá-la como um valor competitivo estratégico primordial para a inteligência de negócios. 

Agora, vamos entender mais a Economia Circular e por que ela é uma tendência que deve ser aplicada urgentemente. 

Economia Circular, um processo de ponta a ponta 

Embora esteja ganhando mais adeptos agora, essa prática não é recente, aparecendo pela primeira vez após a Segunda Guerra Mundial, quando já surgem estudos sobre os sistemas não lineares encontrados na biologia e suas possíveis interseções com o mundo tecnológico que estava começando a ser desenhado. Veremos a primeira aparição em estudos isolados da década de 1970, na Europa, até que, finalmente, em 1989, ele se popularizou com a publicação de um artigo dos economistas e ambientalistas britânicos David W. Pearce e R. Kerry Turner. 

A animação a seguir sintetiza, de forma bem didática, o ponto que levantamos anteriormente, ao demonstrar como a economia circular permite que os “produtos de hoje sejam transformados em recursos para o amanhã”, tal como contam.  

A Economia Circular se apresenta como uma resposta imediata aos problemas causados pela extração demasiada de recursos naturais. O modelo linear econômico contribui por agravar inúmeros problemas que temos com a natureza, além de causar um dispendioso gasto energético que também acarreta em despesas onerosas para a produção econômica. Segundo dados da consultoria McKinsey, há uma estimativa de que a mudança definitiva para um capitalismo baseado na economia circular acarretaria em $1 trilhão para a economia global até 2025, criando 100 mil novos empregos nos próximos cinco anos. E só o setor industrial, segundo a mesma pesquisa, economizaria $630 trilhões, anualmente, ao reduzir custos para matérias-primas. 

No Brasil, a Economia Circular já é uma realidade. Segundo uma pesquisa recente do Confederação Nacional das Indústrias(CNI), 76% do setor industrial é adepto de práticas cíclicas. 

CEO da MaterialLab, consultoria de inovação ambiental, Carol Piccin já ajudou empresas de diversos nichos a implementarem práticas de economia circular. Ela, inclusive, foi entrevistada na estreia de nosso podcast, que teve como tema a sustentabilidade nos dias atuais. Confira aqui o bate-papo completo. Para ela, o conceito não é mais uma novidade: ou as empresas passam a enxergá-lo como um fator de sobrevivência de negócios, ou ficarão para trás, uma vez que a responsabilidade ambiental passa a ser cobrada pelos consumidores, enquanto que o mercado, cada vez mais, passa a reconhecê-la como uma valiosa vantagem competitiva.

“Com os meus clientes, eu sempre parto da perspectiva do agora, até mesmo para enfatizar que as empresas que não estão investindo na economia circular estão ficando para trás, porque estão perdendo oportunidades de economizar dinheiro, fazer parcerias com outras empresas, e de gerar novos valores ao seu produto. Afinal,quando você descarta uma matéria-prima ou produto, você está realizando um descarte que,na minha percepção, significa descredibilizar, tornar algo em periférico e sem valor, tanto do ponto-de-vista monetário quanto de uso.”

Como começar o dia seguinte 

Na Economia Circular, temos diversos atores envolvidos e que fogem da lógica de sistemas econômicos usuais. A começar, é muito forte a presença do consumidor, uma vez que estamos lidando, quase sempre, com a reutilização de produtos que já foram comprados mas que, em vez de serem descartados, serão redesenhados em novas manufaturas — seja para a própria empresa, seja para parceiros ou stakeholders. Também temos os seguintes pilares que estruturam o conceito: 

  • Eliminação de resíduos e de poluição;
  • Produtos e materiais permanecem em ciclos de uso, ou seja, não passam pela etapa do descarte pois estarão, sempre, em processo de redesign;
  • Regeneração de sistemas, econômicos, e naturais. 

Para a aplicação da Economia Circular no nosso dia a dia, no entanto, como podemos começar? Selecionamos algumas questões que devem ser levadas em conta durante o planejamento:

1. Seja estratégico na escolha de stakeholders

Para a Economia Circular dar certo, é preciso avaliar todos os agentes que farão parte da equação de forma muito minuciosa. Isso porque, entre as críticas que são feitas à vertente, menciona-se sua dificuldade para sair do papel — já que há questões que podem sair mais caro ao final do processo, como a logística. No entanto, basta considerar os parceiros que, por se beneficiarem diretamente, estariam dispostos a assumir a frente de etapas que sua empresa não poderia onerar. Conhece alguma forma de reutilizar componentes recicláveis dos seus produtos? Que tal uma parceria, por exemplo, com cooperativas de reciclagem ou com indústrias que precisariam da matéria-prima para seus produtos e, portanto, estariam dispostas a fazer a sua coleta na casa dos consumidores? 

Como exemplo marcante, Piccin menciona a parceria desenvolvida com os Filtros Europa, empresa especializada em filtragem de água para uso doméstico. Se antes havia uma grande dificuldade em planejar o descarte das câmaras de filtragem contidas nos produtos (uma mistura de grãos de carvão, quartzo e dolomita, que juntos fazem a limpeza da água), a equipe do MaterialLab conseguiu desenvolver, com uma empresa de cimento, placas cimentadas com os resíduos do componente do filtro, que passaram a ser vendidas para a produção de azulejos que, inclusive, também revestiram as lojas do próprio Filtros Europa. “Aqui, tivemos ganhos econômicos, ambientais, estratégicos e até de reputação, já que o consumidor, ao ficar sabendo que até mesmo os grãos que filtram a água são reutilizados, passa a valorizar a marca como uma aliada do meio ambiente. Além disso, resolvemos o problema da logística, já que é a própria assistência técnica que busca essas câmaras na casa do consumidor, quando vai atendê-lo para uma troca usual do filtro”, conclui Carol. 

2. Pense em como o consumidor também protagonizará o movimento

A Economia Circular parte do princípio do resgate de produtos que, de outra forma, seriam descartados e se transformariam em lixo eletrônico. Mas como envolver o consumidor neste processo? A boa notícia é que estamos vivendo uma fase de grande conscientização ambiental, em que parte da sociedade tem desenvolvido uma atitude mais crítica em relação às marcas e como elas contribuem ou não para o meio ambiente.  Dessa forma, analise os pontos de contato que a empresa possui com o consumidor, de modo que a coleta do produto não seja uma tarefa que exija trabalho por parte do usuário e que, envolvido em diversas tarefas, acabará não se envolvendo com o processo. No caso do Filtro Europa, por exemplo, o consumidor descartava a câmara e entregava para a assistência técnica no ato da troca dos filtros, um processo padrão que já existia no relacionamento entre marca e usuário. 

3. A inovação como resíduo do processo 

A Economia Circular é uma ode a repensar os gastos materiais e energéticos dos modelos atuais de produção. Ok, mas e o que ela gera de inovação? Só a partir da sua proposta de criar novos produtos a partir de materiais já manufaturados, encontramos um olhar novo para diversos modelos de negócio, mas podemos considerar diversas possibilidades de reinventar o mercado, só a partir da aplicação das diversas etapas da Economia Circular.  É o caso de um trabalho de logística reversa, em que a fonte energética do transporte é elétrica ou de qualquer fonte renovável. Ou as metodologias ágeis que serão impulsionadas, a partir da necessidade de um retorno rápido dos produtos, para que sejam redesenhados em novos serviços. São infinitas as possibilidades mas, antes de se jogar na implementação desse modelo econômico, pense de que forma ela gerar soluções inovadoras para diversas questões da empresa. Esse processo de pivotagem pode gerar, até mesmo, insights para a resolução de problemas que, a princípio, sequer estavam relacionados à prática da Economia Circular dentro do seu contexto de negócio. 

Em um mundo cada vez mais conectado em redes e outras estruturas não-convencionais, está na hora de abandonarmos esse olhar tradicional sequencial. Esse é o maior legado da Economia Circular: ao colocar a sustentabilidade no centro do seu modus operandi, acaba por levantar diversos ensinamentos sobre produtividade e eficiência que não são válidos apenas para o consumo e descarte dos materiais ao nosso alcance, mas todos os processos criativos e laborais que fazem parte da nossa vida. Portanto fica a dúvida — e o chamado —:  o que está esperando para entrar nessa roda também?

A chave da transformação na sua empresa pode estar no mindset digital

Para você, a tecnologia é apenas uma ferramenta ou é o espírito do tempo em que vivemos? Com o Wild Wild Tech, acionamos entre empresas e colaboradores a concepção do mindset digital como um dispositivo de sobrevivência para as mudanças do mercado trazidas pela tecnologia. Por meio de cases, aulas e atividades diversas, a SPUTNiK apresenta caminhos que vão preparar o seu time para as novas eras.

A seguir, vamos contar o que é um mindset digital e por que ele é o ingrediente principal da receita para uma empresa do futuro.

O que é um mindset digital e por que ele é tão necessário? 

É muito mais do que saber como usá-la. É assumi-la como algo inerente ao nosso estilo de vida. Afinal, a tecnologia já está presente em todas as nossas atividades diárias e, mais do que isso, está por trás de nossas expectativas de acontecimentos cotidianos. Esperamos, ao abrir o e-mail pelo smarthphone, ter acesso às notícias do dia graças à newsletter que assinamos. Esperamos, diante do horário apertado para chegar a uma reunião, acessar um aplicativo que traga, em instantes, um serviço de viagem que vai nos salvar do atraso. Ou esperamos, graças a um kanban digital, avaliar, com antecedência, se vamos conseguir cumprir os prazos do projeto durante aquela semana, ou se será o momento de negociar, com o cliente, uma nova data de entrega. São situações em que não paramos para pensar o que nos possibilita resolver nossos problemas. A tecnologia já faz parte do nosso modo de tomar decisões. Desenvolver um mindset digital seria, portanto, exercitar uma relação que já temos naturalizada em diversas situações mas que, uma vez treinada pelo nosso cérebro, seríamos capazes de aplicá-la em todos os momentos do nosso dia a dia. Inclusive no trabalho.

Ter o pensamento preparado para o digital é saber, inclusive  separar o joio do trigo diante de tantas opções. Um relatório da consultoria Deloitte, ao elencar tendências para a transformação digital, traz soluções adotadas, ou que estão para serem adotadas, por empresas que já têm, incorporadas, a tecnologia no seu DNA, e estão mais seguras para realizar escolhas que podem, inclusive, ditar os rumos do mercado. Entre as companhias entrevistadas que já adotam inteligência artificial nos seus processos, por exemplo, 70% adotará uma cultura de nuvem, e 65% buscará o desenvolvimento de aplicativos que possam utilizar a mesma tecnologia. Há outras formas de aperfeiçoar os processos com o machine learning utilizado no dia a dia das empresas, mas, nesse caso, houve a identificação de que um match era possível com a cultura de nuvem. E isso é um exemplo de iniciativa inovadora que só é possível dentro de um ambiente corporativo em que, uma vez que há um mindset digital bem estabelecido, há uma clareza maior das necessidades tecnológicas dos negócios que vai levar aos insights que vão fazer toda a diferença, diante de alternativas que não seriam tão eficazes.

Dicas para implementar um mindset digital na sua empresa

Há muitas formas de desenvolver um mindset digital individual, e incentivar o mesmo em cada um dos colaboradores da empresa. Nesse momento, se ainda não existe uma tendência natural por estar atento às possibilidades oferecidas pela tecnologia, cursos e outras atividades de desenvolvimento pessoal ajudam a romper a barreira com o admirável mundo novo do digital. Mas antes de soluções concretas, o importante é exercitar formas diversas de atitude. A seguir, temos algumas dicas:

  1. Assuma um compromisso forte com a arte de simplificar

Antes de mais nada, pense em como otimizar o tempo, seu e da equipe. Gostaria de ter mais espaço na agenda para tarefas mais complexas que, muitas vezes, você não consegue começar por causa de outras menores? Há atividades que, você tem certeza, provavelmente já podem ser substituídas por um robô ou aplicativo? Avalie todas as atividades que vocês desenvolvem, fragmente-as nas etapas que as envolvem e, a partir disso, não tenha medo de contratar serviços que vão garantir uma liberdade maior para todos os colaboradores. 

  1. E, também, com a arte de semear: tecnologia ao alcance de todos

Não simplifique apenas no dia a dia. Adote esse movimento, também, para comunicar. E incentive todos da equipe a fazerem o mesmo. Uma empresa com um mindset digital coletivo só é possível se a tecnologia, de fato, estiver ao alcance de todos. Ou da compreensão de todos os colaboradores. Especialistas ou pessoas que realmente desenvolvem um mindset digital só são capazes de sê-los se, também, sabem tornar seu pensamento acessível para pessoas que ainda são leigas nos desafios diários — e sempre mutáveis – da transformação digital.

  1. É possível apertar o nó mais um pouco? Como integrar mais o seu time?

Pense que, além de um time competente, é necessário um time unido e em perfeita sintonia, com a empresa e entre si enquanto colaboradores envolvidos nos mesmo projetos. E sempre é possível melhorar. Faça, do monitoramento de team building da sua equipe, uma ferramenta para pensar em formas de integração mais eficazes, que fortaleça a cultura da empresa em cada um dos colaboradores. O compartilhamento de dados sobre os resultados, além de outras questões dos negócios, é o primeiro passo para garantir o envolvimento de todos e reverter isso, em entregas mais engajadas e produtivas. A partir dessa necessidade, você vai desenvolver uma relação mais natural com a análise de dados e, não demora muito, vai investir em softwares e outras ferramentas que vão ajudar nesse processo de integração do time. E em relação aos colaboradores mais novos, a tecnologia também pode ajudar, por meio de aplicativos, jogos e outras soluções que permitem uma interação mais dinâmica e completa na tão temida primeira semana do trabalho.

  1. O usuário no centro da roda 

Se você admite que vive uma vida digital, o mesmo vale para os seus clientes — e que, provavelmente, já entendem e esperam isso bem antes de você se dar conta. Imagine que o mindset digital que você quer desenvolver para respostas profissionais, entre o usuário, é um instinto para buscar quase todos os serviços e produtos que fazem parte do seu cotidiano. Reflita sobre como sua empresa está proporcionando uma experiência digital para o seu cliente e, a partir disso, busque pelas respostas da tecnologia que vão garantir o sucesso do usuário na busca por todas as suas necessidades diárias. Ao mesmo tempo, pensar no cliente também evita o investimento em jornadas tecnológicas que, ao final, não fazem sentido algum para ele. Faça disso um dos maiores compromissos do time — e que, de quebra, também ajudará a exercitar o mindset digital de cada colaborador.

  1. Sem medo de fazer do escritório um tubo de ensaio para a inovação

Uma experiência completa com a transformação digital só é possível se isso não envolver medo. Vivemos a era da experimentação. Para expandir o mindset, é necessário ter curiosidade e criatividade diante de uma realidade cada vez mais complexa. Ao mesmo tempo, uma equipe movida por métricas muito rigorosas pode ter um olhar equivocado diante do momento atual e futuro da empresa, ao enxergar resultados que só podem ser mensurados a curto e, pouquíssimas vezes, a médio prazo. Pensar fora da caixinha pode ajudar a ter um olhar mais firme sobre possíveis ameaças nos negócios. Por isso, alie a construção de um mindset digital de cada colaborador a um ambiente de trabalho que permite que ele possa questionar e desenvolver novas possibilidades para os negócios.

Com o mindset digital, sua equipe será capaz de tratar a tecnologia como algo que faz parte da família. Mais do que o domínio de suas complexidades técnicas e a compreensão dos processos analíticos necessários para sua implementação nos processos, a transformação digital também exige desenvoltura para perceber os seus sinais o quanto antes — algo que só é possível quando já temos um olhar treinado e aquela intuição que só é possível ter quando a nossa cabeça não pensa em outra coisa. Então, já sabe: digitalize-se.