Economia circular: uma nova forma de encarar o consumo (e a produtividade)

Extrair, transformar e descartar. Temos uma relação linear com os produtos que fazemos e consumimos, mas você já parou para pensar como adotamos um mindset tão diferente do que é adotado pela natureza e, até mesmo, por outras relações que temos na nossa vida? Essa é a provocação da Economia Circular, conceito que se baseia nos ciclos biológicos para pensar em formas de produção de capital que sejam, tal como o nome diz, cíclicos. A partir dessa lógica, em vez de materiais já manufaturados serem descartados após o uso, passariam por uma etapa de redesign que os levaria, novamente, para a cadeia de produção. 

Mas como absorver isso, de fato, no dia a dia da empresa? Com o Impact, a SPUTNiK ajuda a reprogramar o olhar sobre nossas relações com o que produzimos, consumimos e descartamos. A sustentabilidade assume o fio condutor da nossa trilha de atividades, e, ao final do curso, os alunos são capazes de identificá-la como um valor competitivo estratégico primordial para a inteligência de negócios. 

Agora, vamos entender mais a Economia Circular e por que ela é uma tendência que deve ser aplicada urgentemente. 

Economia Circular, um processo de ponta a ponta 

Embora esteja ganhando mais adeptos agora, essa prática não é recente, aparecendo pela primeira vez após a Segunda Guerra Mundial, quando já surgem estudos sobre os sistemas não lineares encontrados na biologia e suas possíveis interseções com o mundo tecnológico que estava começando a ser desenhado. Veremos a primeira aparição em estudos isolados da década de 1970, na Europa, até que, finalmente, em 1989, ele se popularizou com a publicação de um artigo dos economistas e ambientalistas britânicos David W. Pearce e R. Kerry Turner. 

A animação a seguir sintetiza, de forma bem didática, o ponto que levantamos anteriormente, ao demonstrar como a economia circular permite que os “produtos de hoje sejam transformados em recursos para o amanhã”, tal como contam.  

A Economia Circular se apresenta como uma resposta imediata aos problemas causados pela extração demasiada de recursos naturais. O modelo linear econômico contribui por agravar inúmeros problemas que temos com a natureza, além de causar um dispendioso gasto energético que também acarreta em despesas onerosas para a produção econômica. Segundo dados da consultoria McKinsey, há uma estimativa de que a mudança definitiva para um capitalismo baseado na economia circular acarretaria em $1 trilhão para a economia global até 2025, criando 100 mil novos empregos nos próximos cinco anos. E só o setor industrial, segundo a mesma pesquisa, economizaria $630 trilhões, anualmente, ao reduzir custos para matérias-primas. 

No Brasil, a Economia Circular já é uma realidade. Segundo uma pesquisa recente do Confederação Nacional das Indústrias(CNI), 76% do setor industrial é adepto de práticas cíclicas. 

CEO da MaterialLab, consultoria de inovação ambiental, Carol Piccin já ajudou empresas de diversos nichos a implementarem práticas de economia circular. Ela, inclusive, foi entrevistada na estreia de nosso podcast, que teve como tema a sustentabilidade nos dias atuais. Confira aqui o bate-papo completo. Para ela, o conceito não é mais uma novidade: ou as empresas passam a enxergá-lo como um fator de sobrevivência de negócios, ou ficarão para trás, uma vez que a responsabilidade ambiental passa a ser cobrada pelos consumidores, enquanto que o mercado, cada vez mais, passa a reconhecê-la como uma valiosa vantagem competitiva.

“Com os meus clientes, eu sempre parto da perspectiva do agora, até mesmo para enfatizar que as empresas que não estão investindo na economia circular estão ficando para trás, porque estão perdendo oportunidades de economizar dinheiro, fazer parcerias com outras empresas, e de gerar novos valores ao seu produto. Afinal,quando você descarta uma matéria-prima ou produto, você está realizando um descarte que,na minha percepção, significa descredibilizar, tornar algo em periférico e sem valor, tanto do ponto-de-vista monetário quanto de uso.”

Como começar o dia seguinte 

Na Economia Circular, temos diversos atores envolvidos e que fogem da lógica de sistemas econômicos usuais. A começar, é muito forte a presença do consumidor, uma vez que estamos lidando, quase sempre, com a reutilização de produtos que já foram comprados mas que, em vez de serem descartados, serão redesenhados em novas manufaturas — seja para a própria empresa, seja para parceiros ou stakeholders. Também temos os seguintes pilares que estruturam o conceito: 

  • Eliminação de resíduos e de poluição;
  • Produtos e materiais permanecem em ciclos de uso, ou seja, não passam pela etapa do descarte pois estarão, sempre, em processo de redesign;
  • Regeneração de sistemas, econômicos, e naturais. 

Para a aplicação da Economia Circular no nosso dia a dia, no entanto, como podemos começar? Selecionamos algumas questões que devem ser levadas em conta durante o planejamento:

1. Seja estratégico na escolha de stakeholders

Para a Economia Circular dar certo, é preciso avaliar todos os agentes que farão parte da equação de forma muito minuciosa. Isso porque, entre as críticas que são feitas à vertente, menciona-se sua dificuldade para sair do papel — já que há questões que podem sair mais caro ao final do processo, como a logística. No entanto, basta considerar os parceiros que, por se beneficiarem diretamente, estariam dispostos a assumir a frente de etapas que sua empresa não poderia onerar. Conhece alguma forma de reutilizar componentes recicláveis dos seus produtos? Que tal uma parceria, por exemplo, com cooperativas de reciclagem ou com indústrias que precisariam da matéria-prima para seus produtos e, portanto, estariam dispostas a fazer a sua coleta na casa dos consumidores? 

Como exemplo marcante, Piccin menciona a parceria desenvolvida com os Filtros Europa, empresa especializada em filtragem de água para uso doméstico. Se antes havia uma grande dificuldade em planejar o descarte das câmaras de filtragem contidas nos produtos (uma mistura de grãos de carvão, quartzo e dolomita, que juntos fazem a limpeza da água), a equipe do MaterialLab conseguiu desenvolver, com uma empresa de cimento, placas cimentadas com os resíduos do componente do filtro, que passaram a ser vendidas para a produção de azulejos que, inclusive, também revestiram as lojas do próprio Filtros Europa. “Aqui, tivemos ganhos econômicos, ambientais, estratégicos e até de reputação, já que o consumidor, ao ficar sabendo que até mesmo os grãos que filtram a água são reutilizados, passa a valorizar a marca como uma aliada do meio ambiente. Além disso, resolvemos o problema da logística, já que é a própria assistência técnica que busca essas câmaras na casa do consumidor, quando vai atendê-lo para uma troca usual do filtro”, conclui Carol. 

2. Pense em como o consumidor também protagonizará o movimento

A Economia Circular parte do princípio do resgate de produtos que, de outra forma, seriam descartados e se transformariam em lixo eletrônico. Mas como envolver o consumidor neste processo? A boa notícia é que estamos vivendo uma fase de grande conscientização ambiental, em que parte da sociedade tem desenvolvido uma atitude mais crítica em relação às marcas e como elas contribuem ou não para o meio ambiente.  Dessa forma, analise os pontos de contato que a empresa possui com o consumidor, de modo que a coleta do produto não seja uma tarefa que exija trabalho por parte do usuário e que, envolvido em diversas tarefas, acabará não se envolvendo com o processo. No caso do Filtro Europa, por exemplo, o consumidor descartava a câmara e entregava para a assistência técnica no ato da troca dos filtros, um processo padrão que já existia no relacionamento entre marca e usuário. 

3. A inovação como resíduo do processo 

A Economia Circular é uma ode a repensar os gastos materiais e energéticos dos modelos atuais de produção. Ok, mas e o que ela gera de inovação? Só a partir da sua proposta de criar novos produtos a partir de materiais já manufaturados, encontramos um olhar novo para diversos modelos de negócio, mas podemos considerar diversas possibilidades de reinventar o mercado, só a partir da aplicação das diversas etapas da Economia Circular.  É o caso de um trabalho de logística reversa, em que a fonte energética do transporte é elétrica ou de qualquer fonte renovável. Ou as metodologias ágeis que serão impulsionadas, a partir da necessidade de um retorno rápido dos produtos, para que sejam redesenhados em novos serviços. São infinitas as possibilidades mas, antes de se jogar na implementação desse modelo econômico, pense de que forma ela gerar soluções inovadoras para diversas questões da empresa. Esse processo de pivotagem pode gerar, até mesmo, insights para a resolução de problemas que, a princípio, sequer estavam relacionados à prática da Economia Circular dentro do seu contexto de negócio. 

Em um mundo cada vez mais conectado em redes e outras estruturas não-convencionais, está na hora de abandonarmos esse olhar tradicional sequencial. Esse é o maior legado da Economia Circular: ao colocar a sustentabilidade no centro do seu modus operandi, acaba por levantar diversos ensinamentos sobre produtividade e eficiência que não são válidos apenas para o consumo e descarte dos materiais ao nosso alcance, mas todos os processos criativos e laborais que fazem parte da nossa vida. Portanto fica a dúvida — e o chamado —:  o que está esperando para entrar nessa roda também?

A chave da transformação na sua empresa pode estar no mindset digital

Para você, a tecnologia é apenas uma ferramenta ou é o espírito do tempo em que vivemos? Com o Wild Wild Tech, acionamos entre empresas e colaboradores a concepção do mindset digital como um dispositivo de sobrevivência para as mudanças do mercado trazidas pela tecnologia. Por meio de cases, aulas e atividades diversas, a SPUTNiK apresenta caminhos que vão preparar o seu time para as novas eras.

A seguir, vamos contar o que é um mindset digital e por que ele é o ingrediente principal da receita para uma empresa do futuro.

O que é um mindset digital e por que ele é tão necessário? 

É muito mais do que saber como usá-la. É assumi-la como algo inerente ao nosso estilo de vida. Afinal, a tecnologia já está presente em todas as nossas atividades diárias e, mais do que isso, está por trás de nossas expectativas de acontecimentos cotidianos. Esperamos, ao abrir o e-mail pelo smarthphone, ter acesso às notícias do dia graças à newsletter que assinamos. Esperamos, diante do horário apertado para chegar a uma reunião, acessar um aplicativo que traga, em instantes, um serviço de viagem que vai nos salvar do atraso. Ou esperamos, graças a um kanban digital, avaliar, com antecedência, se vamos conseguir cumprir os prazos do projeto durante aquela semana, ou se será o momento de negociar, com o cliente, uma nova data de entrega. São situações em que não paramos para pensar o que nos possibilita resolver nossos problemas. A tecnologia já faz parte do nosso modo de tomar decisões. Desenvolver um mindset digital seria, portanto, exercitar uma relação que já temos naturalizada em diversas situações mas que, uma vez treinada pelo nosso cérebro, seríamos capazes de aplicá-la em todos os momentos do nosso dia a dia. Inclusive no trabalho.

Ter o pensamento preparado para o digital é saber, inclusive  separar o joio do trigo diante de tantas opções. Um relatório da consultoria Deloitte, ao elencar tendências para a transformação digital, traz soluções adotadas, ou que estão para serem adotadas, por empresas que já têm, incorporadas, a tecnologia no seu DNA, e estão mais seguras para realizar escolhas que podem, inclusive, ditar os rumos do mercado. Entre as companhias entrevistadas que já adotam inteligência artificial nos seus processos, por exemplo, 70% adotará uma cultura de nuvem, e 65% buscará o desenvolvimento de aplicativos que possam utilizar a mesma tecnologia. Há outras formas de aperfeiçoar os processos com o machine learning utilizado no dia a dia das empresas, mas, nesse caso, houve a identificação de que um match era possível com a cultura de nuvem. E isso é um exemplo de iniciativa inovadora que só é possível dentro de um ambiente corporativo em que, uma vez que há um mindset digital bem estabelecido, há uma clareza maior das necessidades tecnológicas dos negócios que vai levar aos insights que vão fazer toda a diferença, diante de alternativas que não seriam tão eficazes.

Dicas para implementar um mindset digital na sua empresa

Há muitas formas de desenvolver um mindset digital individual, e incentivar o mesmo em cada um dos colaboradores da empresa. Nesse momento, se ainda não existe uma tendência natural por estar atento às possibilidades oferecidas pela tecnologia, cursos e outras atividades de desenvolvimento pessoal ajudam a romper a barreira com o admirável mundo novo do digital. Mas antes de soluções concretas, o importante é exercitar formas diversas de atitude. A seguir, temos algumas dicas:

  1. Assuma um compromisso forte com a arte de simplificar

Antes de mais nada, pense em como otimizar o tempo, seu e da equipe. Gostaria de ter mais espaço na agenda para tarefas mais complexas que, muitas vezes, você não consegue começar por causa de outras menores? Há atividades que, você tem certeza, provavelmente já podem ser substituídas por um robô ou aplicativo? Avalie todas as atividades que vocês desenvolvem, fragmente-as nas etapas que as envolvem e, a partir disso, não tenha medo de contratar serviços que vão garantir uma liberdade maior para todos os colaboradores. 

  1. E, também, com a arte de semear: tecnologia ao alcance de todos

Não simplifique apenas no dia a dia. Adote esse movimento, também, para comunicar. E incentive todos da equipe a fazerem o mesmo. Uma empresa com um mindset digital coletivo só é possível se a tecnologia, de fato, estiver ao alcance de todos. Ou da compreensão de todos os colaboradores. Especialistas ou pessoas que realmente desenvolvem um mindset digital só são capazes de sê-los se, também, sabem tornar seu pensamento acessível para pessoas que ainda são leigas nos desafios diários — e sempre mutáveis – da transformação digital.

  1. É possível apertar o nó mais um pouco? Como integrar mais o seu time?

Pense que, além de um time competente, é necessário um time unido e em perfeita sintonia, com a empresa e entre si enquanto colaboradores envolvidos nos mesmo projetos. E sempre é possível melhorar. Faça, do monitoramento de team building da sua equipe, uma ferramenta para pensar em formas de integração mais eficazes, que fortaleça a cultura da empresa em cada um dos colaboradores. O compartilhamento de dados sobre os resultados, além de outras questões dos negócios, é o primeiro passo para garantir o envolvimento de todos e reverter isso, em entregas mais engajadas e produtivas. A partir dessa necessidade, você vai desenvolver uma relação mais natural com a análise de dados e, não demora muito, vai investir em softwares e outras ferramentas que vão ajudar nesse processo de integração do time. E em relação aos colaboradores mais novos, a tecnologia também pode ajudar, por meio de aplicativos, jogos e outras soluções que permitem uma interação mais dinâmica e completa na tão temida primeira semana do trabalho.

  1. O usuário no centro da roda 

Se você admite que vive uma vida digital, o mesmo vale para os seus clientes — e que, provavelmente, já entendem e esperam isso bem antes de você se dar conta. Imagine que o mindset digital que você quer desenvolver para respostas profissionais, entre o usuário, é um instinto para buscar quase todos os serviços e produtos que fazem parte do seu cotidiano. Reflita sobre como sua empresa está proporcionando uma experiência digital para o seu cliente e, a partir disso, busque pelas respostas da tecnologia que vão garantir o sucesso do usuário na busca por todas as suas necessidades diárias. Ao mesmo tempo, pensar no cliente também evita o investimento em jornadas tecnológicas que, ao final, não fazem sentido algum para ele. Faça disso um dos maiores compromissos do time — e que, de quebra, também ajudará a exercitar o mindset digital de cada colaborador.

  1. Sem medo de fazer do escritório um tubo de ensaio para a inovação

Uma experiência completa com a transformação digital só é possível se isso não envolver medo. Vivemos a era da experimentação. Para expandir o mindset, é necessário ter curiosidade e criatividade diante de uma realidade cada vez mais complexa. Ao mesmo tempo, uma equipe movida por métricas muito rigorosas pode ter um olhar equivocado diante do momento atual e futuro da empresa, ao enxergar resultados que só podem ser mensurados a curto e, pouquíssimas vezes, a médio prazo. Pensar fora da caixinha pode ajudar a ter um olhar mais firme sobre possíveis ameaças nos negócios. Por isso, alie a construção de um mindset digital de cada colaborador a um ambiente de trabalho que permite que ele possa questionar e desenvolver novas possibilidades para os negócios.

Com o mindset digital, sua equipe será capaz de tratar a tecnologia como algo que faz parte da família. Mais do que o domínio de suas complexidades técnicas e a compreensão dos processos analíticos necessários para sua implementação nos processos, a transformação digital também exige desenvoltura para perceber os seus sinais o quanto antes — algo que só é possível quando já temos um olhar treinado e aquela intuição que só é possível ter quando a nossa cabeça não pensa em outra coisa. Então, já sabe: digitalize-se.

Política de privacidade na internet na prática: qual o papel e a responsabilidade do mercado com nossos dados?

2020 será o ano em que vamos pautar a privacidade da internet. Afinal, é quando a Lei de Proteção de Dados entra em vigor no Brasil, enquanto observamos que as discussões sobre a coleta dos dados dos usuários estão cada vez mais calorosas, diante do aumento das preocupações sobre o uso político e econômico dessas informações por empresas e, até mesmo, pelos governos. Nesse sentido, ter uma política de privacidade prevista em lei é uma forma de lutar pelo direito à cidadania e à segurança de todos na Internet, mas sabemos que apenas isso ainda não é o suficiente. Deve partir das empresas a iniciativa de criar uma conscientização real sobre a temática, que não afeta apenas o relacionamento com o usuário, como também diz muito sobre como estamos protegendo os dados que geram valor ao negócio.

A seguir, vamos contar por que sua empresa precisa investir em uma política de privacidade para garantir direitos aos seus usuários e, ao mesmo tempo, proteger o seu próprio futuro no mercado.

O que é a Política de Privacidade?

Você até pode não ler o documento até o final, enquanto um usuário, mas ele está lá (ou, deve estar), acessível para você a qualquer momento. A Política de Privacidade é um documento em que a empresa divulga as diretrizes e os procedimentos que assume em relação a dados seus e a aqueles coletados entre seus usuários. Hoje, com as possibilidades diversas de coleta de dados do consumidor, há uma consciência maior sobre os riscos que isso pode trazer à privacidade e à segurança individuais.

Em 2018, tivemos dois episódios que trouxeram à tona a necessidade de uma política de privacidade na internet. Na Europa, as empresas precisaram correr contra o tempo para se adequarem à General Data Protection Regulation, ou GDPR, legislação da União Europeia para a política de privacidade das empresas, e que inspirou a Lei de Proteção aos Dados do Brasil, e outras leis mundo afora. Entre seus principais pontos, ela adota normas mais rigorosas para controlar a coleta e uso de dados civis por grandes players do mercado, como Google e Amazon. Mesmo que sejam estrangeiras, elas devem seguir a GDPR, uma vez que possuem negócios em solo europeu. O que já as levou a disparar e-mails sobre sua política de privacidade para usuários seus do mundo todo. Se você usa o gmail ou algum produto da Microsoft, por exemplo, já deve ter recebido uma mensagem sobre a atualização dos seus termos de privacidade. Como tiveram que se adequar à legislação europeia, muitas empresas de atuação global acabaram adotando práticas que afetam seu relacionamento com clientes no mundo todo.

Outro episódio que fortaleceu o debate foi o escândalo da Cambridge Analytica, consultoria que trabalhava coleta de dados com estratégia política. O pesquisador russo Aleksandr Kogan realizou uma parceria com a empresa e, a partir da criação de um quiz pelo Facebook, coletou informações diretas e indiretas de mais de 87 milhões de usuários, repassando-as para a Cambridge Analytica que, em um segundo momento, passou a utilizá-las para influenciar esses usuários a votar em diversos candidatos alinhados a seu direcionamento político e ideológico. O problema foi quando surgiram evidências de que havia uma ligação direta entre a empresa e o então candidato à presidência, Donald Trump.

O escândalo reacendeu várias questões, inclusive sobre o papel do Facebook na intermediação do acesso aos dados dos usuários da sua plataforma. E a partir disso, encontramos um movimento global em que, em muitos países, parlamentares, sociedade civil, Imprensa e outros setores da sociedade, passam a cobrar medidas mais seguras para os dados dos cidadãos na Internet.

Em 2018, no Brasil, tivemos a aprovação da Lei Geral de Proteção aos Dados (LGPD). Ela reconhece todos os indivíduos e organizações que estão envolvidos no processo, ao mesmo tempo em que define quais são os tipos de dados protegidos pela sua legislação.

Dos atores que a lei reconhece, podemos definir os seguintes:

  • Controlador: é o agente que pode definir como será a coleta e o tratamento dos dados que detém. Um exemplo é a empresa que vai vender um produto via seu e commerce ou com a contratação de outra consultoria responsável pelo cadastro dos dados dos consumidores. 
  • Operador: quem processa e trata os dados. Um exemplo são as empresas que cadastram as informações de consumidores que estão prestes a realizar a compra de um produto de outra marca. 
  • Titular: são os usuários, donos das informações que estão em jogo. 

Operadores e Controladores devem, portanto, responder à Lei. Podemos então, situá-los como empresas, enquanto o titular é o usuário, proprietário dos dados pessoais.

Do lado do usuário, teremos, portanto:

  • O direito de negar a coleta dos seus dados pessoais;
  • O direito de conhecer o uso da coleta dos seus dados pessoais.
  • corrigir dados que considerem incompletos ou desatualizados
  • solicitar que seus dados sejam bloqueados ou eliminados a qualquer momento. 
  • solicitar anonimização, ou seja, quando for acessar os serviços da empresa, o usuário tem o direito de navegar pelo site ou pelo aplicativo sem os cookies da internet, que são pacotes de informações que, geralmente, nos acompanham toda vez que acessamos uma página nova. E contém diversos dados nossos, como telefone e e-mail. 
  • solicitar que seus dados também possam ser portabilizados, isto é, transferidos para outras organizações que prestam serviços para ele. 

Do lado da empresa, a lei determina que: 

  • Tem o dever de pedir a autorização do usuário para a coleta de dados pessoais;
  • Tem o dever de informar qualquer problema ou ameaça à privacidade dos dados pessoais coletados do usuário
  • Ao encerrar os negócios, devem descartar as informações registradas sobre os usuários.  

E, por fim, a Agência Nacional de Proteção a Dados (ANPN) pode pedir às empresas, sempre que for necessário, relatórios de risco à privacidade dos dados, aplicando multas cabíveis quando identificar possíveis irregularidades.

Fazendo a nossa parte

Em agosto de 2020, a Lei de Proteção aos Dados entra em vigor. No entanto, não é recomendável deixar as mudanças na política de privacidade da empresa para a última hora. Afinal, há vários fatores que influenciam para que uma empresa se adapte de fato, como o seu tamanho, a capacidade para investir na transição, e até mesmo o grau de sua imersão enquanto uma empresa inserida na era da transformação digital. Mas, até que a mudança se concretize completamente, diversas soluções já podem ser implementadas, uma vez que fortalece a segurança nos processos e, ao mesmo tempo, fortalece a credibilidade com o usuário. Inclusive, o site ReclameAqui realizou uma pesquisa entre os consumidores, para entender o quão antenados estão com a nova lei. 10.285 usuários do Reclame AQUI responderam, sendo que 93,6% eram consumidores, e 6,4%, empreendedores. 88,6% dos consumidores estão preocupados com a segurança dos seus dados, e 43,5%, leem os Termos de Uso (que são equivalentes à política de privacidade que mencionamos). Isso demonstra que, apesar de ainda não estarmos em um nível ideal de conscientização (uma vez que 56,6% assinam os Termos sem lê-los), estamos caminhando para uma realidade em que os consumidores vão assumir um protagonismo maior na cobrança por uma internet mais segura para os seus dados.

A seguir, há um conjunto de requisitos, previstos pela LGPD, que podem gerar insights sobre como as empresas precisam se preparar para a Lei de Política aos Dados. A partir de cada item, é possível pensar em como elaborar uma política de privacidade que seja simples, acessível e completa para os seus clientes:

  • Finalidade: Segundo a lei, a empresa só pode usar os dados para um fim específico, que deve estar claro para todos desde o início. Logo, pense em como sua empresa definiu essa informação na sua política de privacidade. 
  • Adequação: O tratamento dos dados deve ser compatível com a finalidade do seu uso pelas empresas.
  • Necessidade: A empresa deve solicitar apenas os dados que são necessários para a prestação do seu serviço. 
  • Livre Acesso: usuários devem ter acesso ilimitado aos seus próprios dados. 
  • Qualidade dos Dados: garantia de que o usuário terá informações claras e atualizadas sobre informações do estado em que se encontra seu dado 
  • Transparência: empresas são obrigadas a informar, de forma prática e acessível, de que forma coletam e tratam os dados dos usuários. 
  • Segurança: empresas devem proteger dados dos usuários contra fraudes, vazamento e outros acidentes. 
  • Prevenção: as empresas devem adotar medidas de prevenção a possíveis problemas no tratamento dos dados, e informar quais são os procedimentos utilizados. 
  • Não Discriminação: dados não podem ser utilizados com o intuito de discriminar seus usuários ou promover perseguições políticas, sociais e ideológicas. 
  • Responsabilização e prestação das contas: uma vez que são detentoras da coleta dos dados, as empresas precisam assumir a responsabilidade do seu uso e de eventuais problemas que ocorram com sua integridade, apresentando os parceiros que também participam do tratamento das informações armazenadas.

Implementar uma Política de Privacidade na empresa pode ser uma tarefa árdua, mas será fundamental para estar em dia com a lei, ao mesmo tempo em que ganha pontos com o cliente, cada vez mais consciente sobre o valor político e econômico dos seus dados. Hoje, segurança também é um requisito para tomadas de decisão de compras. Por outro lado, a própria empresa será beneficiada ao ter a confiança de que está pisando em novos territórios tendo, nos seus bastidores, as melhores soluções de segurança em prática, assegurando a força e a integridade do que agrega valor aos negócios.

Como descobrir o que é sucesso profissional para você — e como chegar lá

Há quanto tempo, você não experimenta algo novo? Pode ser uma comida nova, uma banda que não conhecia, um caminho diferente para chegar ao trabalho e, quem sabe, até mesmo um desafio profissional totalmente diferente daquele pelo qual você se preparou durante quase vinte anos de estudo mas que, se encarar, pode despertar novos prazeres que você não imaginava que seriam tão importantes para enriquecer seu autoconhecimento. A ponto de reverter isso em um espaço mais produtivo e inovador para a sua empresa. Com o Vai lá e faz, a SPUTNiK ajuda a rever papéis tradicionais no trabalho, oferecendo práticas de autonomia e criatividade que vão revelar, em cada aluno, superpoderes que estavam ocultos graças às regras da cartilha convencional do trabalho. Com nosso curso, estar aberto a novas experiências e, por elas, colocar a mão na massa sem medo, será um caminho sem volta na trilha por uma trajetória mais criativa e prazerosa. E que vai ganhar novas rotas, inclusive, no que diz respeito em relação ao que entendemos como sucesso profissional. 

As perguntas que respondem o que é sucesso profissional

Já vimos listas de pessoas mais bem-sucedidas antes dos 30, pesquisas que são motivadas, inclusive, por fenômenos como a criação do Facebook por um ex-universitário. Ou por talentos prodígios das artes (como Mozart, que produziu seus primeiros grandes trabalhos quando tinha menos de dez anos de idade). Sucesso profissional, no nosso imaginário comum, sempre esteve associado a façanhas ou trajetórias fora do ponto da curva ou que, no mínimo, exigiram jornadas extenuantes e extraordinárias de seus protagonistas. A ciência também já quebrou a cabeça sobre o tema. Entre os seus conceitos que já ensaiaram para responder a questão, temos, por exemplo, a do ano milagroso:  

o momento em que cientistas, artistas e outros profissionais completam o quebra-cabeça das suas trajetórias, o que pode ser a descoberta de um teorema inédito, a realização de uma obra-prima artística ou, até mesmo, a criação de um negócio de grande valor estratégico competitivo. 

No entanto, estamos cada vez mais imersos em uma sociedade fiel a seus valores, que, muitas vezes, podem navegar contra a maré do conjunto de coisas que associamos ao sucesso, como estabilidade financeira. Esse ponto, inclusive, mostra como o sucesso profissional está sendo ressignificado, sobretudo, pelas novas gerações. Segundo uma pesquisa feita, em conjunto, pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas(CNDL), pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a geração Z (jovens nascidos entre 1995 e 2010) não tem apego a salários altos. Para 42%, sucesso profissional é trabalhar com o que gosta, seguido pelo equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, com 39%, enquanto 32% acredita que é importante obter reconhecimento pelo trabalho. Apenas 31% acredita que sucesso profissional é sinônimo de salários maiores. 

Dessa forma, temos uma sociedade que ainda é altamente competitiva, mas está mais disposta a ressignificar o que é sucesso. Que tal aproveitar-se do momento?

Um primeiro passo pode ser desenhar algumas questões que, lamentamos informar, só você pode respondê-las. Caso esteja em um momento em que é importante repensar o que é sucesso profissional para você, nada de preguiça: separe um caderno, uma caneta, e escreva as questões a seguir, com as respectivas respostas que você for criar para cada uma delas, a partir de uma jornada pessoal de autoconhecimento.

  1. O que é ser bem-sucedido?

O que é sucesso para você? Quando você imagina-se no pódio, a medalha de ouro no seu peito é por qual tipo de conquista? Ou, se você estivesse em uma capa de revista, seria por qual motivo? 

  1. O que traz brilho no olhar para você e, consequentemente, sucesso profissional?

Se dependesse de você, passaria horas exercendo essa atividade. Quando se refere a ela para os amigos, é difícil segurar a emoção ou o entusiasmo. Pode ser um hobby ou até uma área profissional em que você está inserido. Tudo é válido para fugir dos rótulos e encontrar o que realmente traz valor para você.

  1. Na minha balança, o que ajuda a equilibrar o sucesso pessoal e profissional?

O que você faz atualmente tem a ver com as conquistas pessoais que vão além do expediente de trabalho? O seu trabalho é o seu sonho? A pergunta pode parecer desafiadora e, em muitos casos incômoda, mas, se for utópica, está na hora de rever suas colheres. Afinal, você está vivendo, ou está apenas pagando os boletos? Caso se encontre em um abismo entre as duas questões, não tenha medo de recomeçar. Abuse de livros, cursos e mentorias que vão ajudar a monetizar o que realmente acelera o seu coração. 

  1. Quais são os valores que me movem? 

Se, tal como mencionamos, temos uma geração cada vez mais capacitada, mas exigente quanto ao lugar que querem ocupar no mercado, aprenda com esses jovens: pense na cultura de empresa em que está inserido e reflita se, ainda, realmente faz sentido para as crenças pessoais que moldaram sua personalidade até aqui. Se houver uma grande incompatibilidade, não tenha medo de acionar o sinal vermelho, e pensar em soluções que possam ajustar o problema, antes que ele traga efeitos colaterais maléficos, inclusive, para a sua saúde mental.

  1. Como é a minha lista de coisas que desisti por tempo ou por dinheiro? 

“Deixa só passar esse período, vou começar aquele curso de desenho”. “Até poderia pagar, mas tenho outras prioridades”…Quem nunca? Ao fazer uma revisão das coisas que você deixou passar por encontrar, sempre, prioridades que, no fundo, eram dispositivos de falta de coragem para correr atrás do que realmente importa, você pode levar um tremendo susto. Mas não caia da hora: nunca é tarde para correr atrás do que realmente importa. E refazer a trilha pode, até mesmo, trazer mais segurança para alcançar, de fato, o tão falado sucesso profissional.

Faça uma detox: hábitos para abandonar

Uma lista de boas práticas, para obter sucesso profissional, quase nem sempre é o suficiente para encontrar o caminho certo. Diversos hábitos podem nos levar para endereços errados que, com o tempo, revelam-se sem saída. É necessário estar preparado para identificá-los — e eliminá-los — o quanto antes. Selecionamos os mais desafiadores: 

Procrastinação

Há muitas causas para a procrastinação, que, quase sempre chega sorrateira e disfarçada de argumentos sedutores — mas que, a curto prazo, demonstram ser falaciosos e nocivos. Manter-se vigilante contra o problema pode ser um desafio espinhoso no início mas, acredite, vai facilitar e muito para que você tenha o foco e o gás necessários para correr atrás do que realmente importa. Instale aplicativos de gerenciamento de tempo, compre uma agenda, dê um tempo das redes sociais. Estude formas de fazer, da procrastinação, uma pedra fácil de ser tirada do seu caminho.

Acúmulo de tarefas e de funções

Aprender a dizer não pode ser, com certeza, um atalho para o seu sucesso profissional. Ao reconhecer que você não pode abraçar o mundo, novos caminhos são abertos para as tarefas que realmente devem ser prioridade. Portanto, delegar tarefas para os colegas pode ser um grito à liberdade que está armazenado aí há tanto tempo, ao mesmo tempo em que faz muito bem à saúde.

Viver com a agenda lotada — inclusive aos finais de semana

Ter a mente ocupada 24 horas em sete dias da semana não é nem um pouco saudável e, a longo prazo, prejudica a produtividade. Mesmo assim, estamos falando de um problema que é vivenciado por milhares de pessoas, que acabam sendo vitimadas por uma condição que até mesmo a Organização Mundial de Saúde já reconheceu como uma das principais causas de problemas muito sérios que comprometem a saúde física e mental no trabalho, o burnout. Respeite os sábados e domingos, e os reserve para famílias, amigos e, de novo, à experiência de coisas — aqui, entenda-se por viajar para novos cantos, assistir a um novo filme, ter contato com levezas da vida que ampliam a visão sobre o lugar que queremos ocupar no mundo, ao mesmo tempo em que aquecem o coração.

Dirija um novo olhar à ideia de meritocracia

Hoje, temos um ambiente corporativo mais sensível  em relação às desigualdades que permeiam nossas relações humanas em todos os âmbitos — político, econômico, social e, por que não, também afetivo. Dessa forma, a ideia de que é possível conquistar algo puramente por mérito, sem levar em conta os vieses e arbitrariedades que nos cercam, está cada vez mais ultrapassada, cedendo lugar a noções de equidade que nos ajudam a entender as nocividades de acreditar e defender que o sucesso profissional só depende do indivíduo, quando, para mulheres, pessoas com deficiência, negras e de outras etnias, a noção de meritocracia e as barreiras sociais que as acompanham, definitivamente, não conversam.

Saia da zona de conforto

Vivemos a era do Lifelong Learning Experience. Permita-se a não ficar de fora dela. A transformação digital já é uma presença marcante em nossas relações, inclusive profissionais. Não tenha medo de encarar técnicas que, anos atrás, você poderia  considerá-las aquém da sua capacidade de aprendizado. Aproveite a facilidade ao acesso ao conhecimento e tire, da gaveta, aquele sonho antigo de aprender coisas que, hoje, podem levar você a construir uma rota surpreendente rumo a sua ideia de sucesso profissional.

Não há uma fórmula exata para o sucesso profissional. Hoje, já aceitamos formas diversas de obtenção de conhecimento e de outras experiências de vida que, muitas vezes, fogem do clássico roteiro escola-faculdade-estabilidade-financeira. Abrace as surpresas da vida e arrisque sem medo. O importante é encarar a jornada como um aprendizado duradouro, em que o grande diploma é o baú de memórias que guardará, para sempre e a sete chaves, a essência do que somos e do que dá significado ao nosso lugar no mundo. 

Como o Processamento de Linguagem Natural faz o meio de campo no diálogo homem-máquina

Se você não tem curiosidade em saber o que explica a existência de assistentes de voz tão precisos, então você está vivendo a época da transformação digital de forma um pouquinho equivocada — e, lá na frente, vai se arrepender de não ter buscado respostas que, além de satisfazer essa pergunta, poderiam ajudar em outras situações cotidianas. Porque quase nada na tecnologia se cria: quase tudo se reconecta, e precisamos aprender a nos apropriar desse mindset. Só assim, seremos capazes de encontrar soluções que não apenas resolvam, mas, ao mesmo tempo, não nos deixem para trás, em um mercado cada vez mais disposto a seguir o ritmo das novidades constantes da tecnologia. Em Digitalize, apresentamos o abecedário desse Admirável Hoje Novo, em que o futuro não apenas bateu à nossa porta, como já entrou sem pedir licença.

A seguir, vamos conhecer os bastidores de voz e do pensamento em tempos de códigos e de bots. O Processamento de Linguagem Natural pode ser considerado uma mão na roda para diversas situações complexas com as máquinas. Mas uma vez que você aprende o seu bê-a-bá, já estará disposto a, inclusive, fazer desse dicionário do mundo digital uma matéria-prima para os seus próprios dialetos.

Decodificando o Processamento de Linguagem Natural

Acontece durante aquele atraso para uma reunião em um lugar que você nunca foi antes. Você entra no carro, ajusta o celular para perto do volante, mas está com pressa demais para digitar o endereço. Mas basta um clique e você é capaz de falar, ao celular, o destino que está buscando. A voz do aplicativo confirma e, em segundos, você tem a rota certa para o encontro.

Podemos até chegar a uma situação ainda mais simples: sabe aquele TED em inglês que ainda não foi traduzido, mas que estamos ansiosos para ver? A legenda automática está aí para nos ajudar. Ou, quando digitamos um número de telefone, o celular não demora a tentar acioná-lo, transformando dígitos em ligações.

Todas essas situações só são possíveis graças a uma ferramenta de mediação entre nossos desejos e ordens humanos, e a complexa rede de entendimento das máquinas. Tal como o nome sugere, o Processamento de Linguagem Natural, ou PLN, consiste em um conjunto de técnicas computacionais que buscam a análise e a representação natural de textos para transformá-los, da linguagem humana, em comandos para diversas aplicações tecnológicas.

O Processamento de Linguagem Natural segue passos oriundos da análise linguística. Dessa forma, ao alfabetizar uma máquina a compreender a linguagem humana, a PLN o ensina a fazer análises sintáticas e morfológicas das frases, a extrair informação, realizar resumos e, em muitos casos, a entender o que, de fato, foi comunicado pelo usuário.

Se a técnica só começou a receber holofotes agora, podemos voltar algumas décadas para encontrar suas origens. Já na década de 40, encontramos as primeiras tentativas de máquinas de tradução. Durante a Segunda Guerra Mundial, cada minuto era precioso para entender os códigos do lado inimigo. Alan Turing, famoso matemático e considerado o pai da computação, foi um dos primeiros a estudar a inteligência artificial que daria origem ao Processamento de Linguagem Natural. Já em 1950, ele publicou o artigo “Computing Machinery and Intelligence”, que propunha o que hoje conhecemos como teste de Turing, uma espécie de conjunto de parâmetros para a definição de inteligência de uma máquina, ou seja, sua capacidade em assumir uma cognição intelectual próxima a de um humano.

A partir do seu trabalho, surgiram as primeiras tentativas de algoritmos que soubessem compreender e reproduzir a linguagem humana. Em 1954, a IBM, em parceria com a Universidade de Georgetown, desenvolveu um algoritmo que conseguia traduzir mais de sessenta frases do russo para o inglês. O trabalho ainda foi feito de forma rudimentar, com o uso de cartões perfurados nas máquinas que antecederam o que conhecemos como computador. Mas já foi considerado um grande passo rumo ao que está nas nossas mãos hoje.

Na década de 60, ainda tivemos o ELlZA, considerado o primeiro chatbot existente, e que consistia em um script que buscava simular uma consulta ao psiquiatra, com a máquina reagindo, ao que era digitado pelo usuário, com perguntas e respostas típicas  de um especialista. Mas é na década de 80 que a PLN começa a nascer, com o avanço da computação como conhecemos hoje. Já temos a criação de bancos de dados que substituíram, em grande parte, os vieses humanos das mediações realizadas diretamente pelos programadores e, durante a década de noventa, as máquinas já eram capazes de compreender situações complexas da linguagem humana.

Hoje, a PLN está cada vez mais onipresente nas atividades humanas, principalmente em tempos de transformação digital. Na internet, estamos rodeados por diversos processos que trabalham com a automação de texto, técnica que ocorre graças ao Processamento de Linguagem Natural.

Como usar o Processamento de Linguagem Natural a nosso favor?

Antes de identificar de que forma o Processamento de Linguagem Natural está presente no nosso dia a dia, é importante entender o seu funcionamento. Basicamente, podemos identificar os seguintes níveis da PLN:

  • Som: em que há um trabalho fonológico com a linguagem humana, compreendendo como são ditas as palavras. 
  • Morfologia: a busca por interpretar os morfemas, estruturas mínimas que ainda não compõem uma palavra, mas já contêm significados. 
  • Léxico: é o trabalho de interpretar o significado individual das palavras. 
  • Semântico: quando é a vez de entender o significado de uma frase. 
  • Discurso: quando há a análise e uso, por parte da máquina, do significado de um texto completo. 
  • Pragmático: a capacidade da máquina em interpretar e criar significados que estão nas entrelinhas das composições textuais. 

Hoje, além dos assistentes de voz, encontramos o Processamento de Linguagem Natural em diversas formas, no nosso dia a dia:

  • Sua caixa de e-mails cada vez mais inteligente: no lixo eletrônico você identifica um padrão de spams, que facilita o descarte das mensagens? Agradeça ao filtro Bayesiano, uma técnica da PLN que, a partir da comparação de palavras mais comuns em mensagens, identifica o que é lixo eletrônico. 
  • Conversão da fala em texto: já aprendeu o truque da transcrição sem digitar um caractere sequer (se você ainda não ouviu falar, abra um docs do Google e tente),pois o computador está fazendo o serviço para você? Temos, acionadas, ferramentas 
  • Busca inteligente: sabe quando você está em um site e, ao começar a digitar um tópico de interesse, já depara-se com resultados sugeridos para você (e que, muitas vezes, correspondem ao que você procura)? São métodos de modelagem, extração e categorização de conteúdos que só acontecem graças à PLN. 
  • Tradução automática: e aquela frase em francês que queremos tatuar no braço. Como ter certeza do seu significado correto, quando não temos um dicionário em mãos? A tradução automática que encontramos no Google Tradutor só é possível graças aos algoritmos que são regidos pelo Processamento de Linguagem Natural, que apesar das dificuldades ao esbarrar no conflito entre gramáticas de idiomas tão diversos, em muitos casos consegue chegar a resultados que conseguem, no mínimo, nos situar diante de uma frase que, até então era apenas um amontoado de palavras e sílabas sem sentido. 
  • Internet das Coisas: conversamos com assistentes de voz, temos aplicativos conectados no carro, nos portões e até mesmo nos relógios. Conseguimos acioná-los por comandos simples que trafegam por uma linguagem para a qual, ao final, todos nós somos capazes de respondê-la. 
  • Chatbots: são os famosos programas que podem conversar por aplicativos de celular ou em plataformas nas redes sociais. Queridinhos dos e-commerces, seu funcionamento só é possível graças à capacidade da PLN em desenvolver sistemas complexos de conversação e entendimento das mensagens recebidas pelos usuários.

O Processamento de Linguagem Natural pode aparentar ser complexo à primeira vista, mas sua presença no nosso dia a dia é um exemplo de que é possível, e necessário, estar atento às suas possibilidades. Vai chegar o momento em que ter um chatbot poderá ser muito mais do que estreitar o relacionamento com o cliente, por exemplo, mas desvendar insights que podem fazer a diferença diante de um mercado cada vez mais imerso na transformação digital. 

Respira… Um curso de oratória pode ser a solução para você

Vamos ressignificar o seu medo de falar em público? Basta olhar sob uma nova perspectiva: às vezes, o que você tem nada mais é do que uma certa insegurança para saber por onde começar — e isso mexe, especialmente, com sua obsessão pelo perfeccionismo. Um curso de oratória pode entregar a bússola que você precisa para chegar mais perto dos palcos. No Tipo Pitch, a SPUTNiK ajuda a despertar o orador que existe em você. Em um dia, apresentamos as ferramentas para construir, no discurso, aqueles efeitos especiais que vão garantir que a história que você conta para a audiência dispare faíscas de encanto e de engajamento. 

A seguir, vamos desconstruir a ideia de que falar em público não é para todos. Puxe o ar com todas as suas forças e comece a soltá-lo devagar: ter uma boa oratória envolve prática e, sobretudo, muita concentração e controle sobre o que você está prestes a compartilhar.

Afinal de contas, o curso de oratória é uma prática que antecede, até mesmo, o surgimento da leitura.

Todos nós, em algum momento, deveríamos ter acesso a um curso de oratória. Afinal, ela desenvolve um conjunto de habilidades que, por vezes, passam batido do nosso dia a dia, mas sempre são lembradas por nós quando mais precisamos. A oratória não é apenas uma habilidade comportamental para seduzir plateias: também é uma ciência que mistura arte, comportamento e, até mesmo, a forma como nos relacionamos com o corpo. Não é à toa que ela já estava presente lá nos primórdios da saga da Humanidade para construir os campos pilares do seu Conhecimento. 

É sabido a data e o local do primeiro manual de oratória da História: século V a.C., em Saracusa, na Sicília (atual região da Itália, mas, na época, território do Império Grego). A dupla de gregos Tísias e Corax desenvolveram um manual que pudesse acompanhá-los naqueles que são tidos como os primeiros projetos de curso de oratória. Afinal, à época, era muito comuns as brigas por propriedades de terra, entre a população e o governo, e os advogados assumiam um papel de destaque na sociedade. Para manter o status, contratavam aulas de retórica (aquela famosa arte de convencer o público) que, entre outras coisas, traziam lições valiosas de oratória.

Logo depois, as lições de Aristóteles sobre o tema foram eternizadas, como estudo científico, por seu discípulo Platão. Aqui, já observamos que a oratória ganha um corpo de ciência graças a um lado voltado às suas normas e técnicas, e a capítulos do filósofo que são relacionados a questões mais subjetivas, como dicas para desenvolver ligações emocionais entre quem discursa com o público, como o domínio do despertar do carisma e da empatia.

Na Roma Antiga, com a consolidação da República, o acirramento das disputas políticas, para cativar o voto da população, levou estudiosos a desenvolverem técnicas que, na Idade Média, seriam aperfeiçoadas e também contemplariam questões como dicção, tom de voz e expressões corporais, uma vez que, antes, as primeiras vertentes da ciência ainda estavam muito voltadas ao relacionamento entre orador e público, além do contexto cultural e político em que a comunicação era realizada. E com o passar dos séculos, a oratória deixou de ser uma ciência disponível apenas para a elite, tornando-se cada vez mais acessível para outras camadas sociais. E ganhou ainda mais corpo a ideia de que, quase sempre, a prática supera uma possível inclinação natural (ou dom) para falar em público: qualquer um que tiver um curso de oratória à disposição, e muita disciplina para fazer a lição de casa, estará pronto para ser um líder em todos os seus discursos.

Durante a História, também observamos como experiências de curso de oratória levaram grandes personalidades à perda do medo e, consequentemente, realizaram grandes discursos em acontecimentos emblemáticos. Um grande exemplo é o rei Jorge VI (1895-1952), que, na Inglaterra prestes a entrar na II Guerra Mundial, precisou assumir o trono repentinamente após a abdicação do irmão e, vítima de gagueira, contrata um fonoaudiólogo para ajudá-lo a perder o medo de falar o público, e a realizar com maestria alguns discursos notáveis, como os proferidos no rádio assim que a guerra começa. A história foi imortalizada no filme O Discurso do Rei, que ganhou diversos prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Filme(2011). Um exemplo de que autoconhecimento e inteligência emocional são aptidões que todos nós precisamos desenvolver, principalmente quando associadas à arte de contar histórias.

Principais habilidades desenvolvidas em um curso de oratória

Para ter certeza de que este é o momento certo para contratar um curso de oratória, que tal conhecer os principais benefícios desse tipo de aprendizado? Uma ciência transdisciplinar, a oratória, conforme já mencionamos, traz vantagens que afetam o modo como nos posicionamos no mundo, da cabeça aos pés.

  1. Storytelling

Comunicar, com a arte da oratória, é uma forma de compartilhar uma das maiores paixões dos humanos: histórias. Aprender a se expressar também envolve construir um roteiro que vai trazer dados, emoção e empatia na medida certa. Seus minutos no palco, com o curso de oratória, transformam-se em um pequeno espetáculo que vai prender a atenção do público do começo ao fim. Apresentação, coerência da história e até mesmo a combinação de outros recursos com a sua fala são alguns dos elementos técnicos trabalhados durante um curso de oratória. 

  1. Controle da entonação da voz

O equilíbrio da voz é muito importante para transmitir segurança a proximidade com o público. O curso de oratória ensina quais são os níveis vocais ideais para prender a atenção e, ao mesmo tempo, quebrar barreiras com a audiência, aproximando-a do conteúdo e, claro, de você. 

  1. Qualidade vocal

Para não perder o fôlego durante a apresentação, o curso de oratória vai ensinar como criar uma rotina de cuidados diários com a voz, fazendo com que você desenvolva uma outra relação com uma das suas ferramentas de trabalho mais importantes. 

  1. Expressão corporal: 

Onde ficam as suas mãos enquanto fala? Uma gesticulação exagerada e uma postura relaxada podem tirar a credibilidade logo nos primeiros minutos no palco. Uma das principais lições do curso é, portanto, calibrar a forma como seu corpo comunica, para que esteja sintonizado com a voz e com a história que você quer contar.  

  1. Autoconfiança:

Ao perceber as mudanças do seu discurso durante as aulas, você vai perceber como um curso de oratória também é um bom caminho para desenvolver a sua própria autoestima. Se antes você fugia dos palcos, vai ficar correndo o risco de virar o famoso zé palestrinha(mas,cuidado, que falar demais, como todos os exageros da vida, também atrapalha). 

  1. Proximidade com o público:

O curso de oratória vai ajudar a estabelecer ligações emocionais com a audiência. Ao final da apresentação, será como se ela estivesse diante de um velho amigo seu: você e a história que permitiu que seu público também se apropriasse dela como sua. 

  1. Memorização: 

Esqueça a famosa cola. Um orador confiante apresenta o discurso como algo seu em todos os detalhes. E ,um deles, e que não passa despercebido da audiência, é a prova do quanto você conhece, ou vive, o que está comunicando. No curso de oratória, são desenvolvidas técnicas para ter o roteiro mais do que programado na sua mente, de modo que as palavras apenas fluam quando for a vez de proferi-las, sem aqueles momentos constrangedores de pausa, em que nada do mundo ajuda a resgatá-las da lembrança.

Essas são habilidades que um curso de oratória pode dar conta facilmente. Mas, até lá, também encontramos opções diversas que podem nos aproximar do resultado, enquanto não temos a melhor ferramenta em mãos.

Até lá, o que podemos fazer?

Então, não consegue começar um curso amanhã? Há algumas técnicas que podem ajudar a dar o primeiro passo para vencer o medo.

Faça do espelho o seu melhor amigo

Imagine situações fictícias em que você precisa assumir o comando e compartilhar uma apresentação com o público. E se olhe no espelho. Não tenha medo de encarar o próprio reflexo. Olhe nos próprios olhos, alternando isso com o estudo de como todo o seu corpo se posiciona enquanto você fala. Ao mesmo tempo em que conhece melhor seus erros e suas qualidades, você aprende a construir sua própria presença, ao mesmo tempo em que torna mais fácil a tarefa de encarar uma pessoa enquanto defende sua própria história.

Desperte a imaginação — e aprenda a ser um bom orador, brincando

A timidez ainda assombra? Pratique teatro ou aulas de canto e, de preferência, com outras pessoas. Isso ajuda a desenvolver ligações emocionais que vão mostrar a importância de estabelecer empatia e confiança com a sua audiência. Ao mesmo tempo, a arte aguça a sensibilidade e amplia nossa visão de mundo, o que nos torna mais confiantes e apaixonados pela vida e todos os desafios que ela apresenta — inclusive a de compartilhar histórias com outras pessoas.

Cuide bem da sua voz

Evite tomar líquidos gelados todos os dias. Não arrisque a sua saúde e, consequentemente, a sua garganta ao se expor em ambientes de clima frio sem um agasalho. E busque por exercícios vocais que caibam na correria do dia a dia. Um exemplo é a prática da nasalização: pressione, com força, as narinas com a ajuda dos dedos polegar e indicador e, com a boca fechada, imite o zumbido de uma abelha. Faça isso por cerca de um minuto e com séries de repetição de três a quatro vezes, com intervalos de trinta a quarenta segundos. É uma atividade que vai ajudar a aquecer a voz, e deixar as cordas vocais ainda mais saudáveis.

A arte de falar em público pode ser conquistada após muitos episódios de bloqueio ou de apresentações nem tão bem-sucedidas assim, mas um curso de oratória pode mostrar o caminho das pedras em situações em que, nem sempre, podemos esperar muito, como uma entrevista de emprego que pode ser aquele divisor de águas da sua trajetória profissional. Ou a chance de palestrar em um evento que pode trazer uma repercussão inesperada (e muito desejada) para a sua carreira. Ou, até mesmo, uma mudança repentina de papéis dentro da equipe, em que, do colaborador caladão que só fica diante do computador, será a sua vez de segurar o microfone. Em todos os casos, não perca tempo, e assuma o compromisso de encontrar o tom para a melhor versão da sua história. 

Você empurra tarefas dia após dia? Entenda o que é procrastinação

Manter os níveis de engajamento lá no auge não é uma tarefa fácil. Vivemos em um mundo hipersensorial, que nos agita com excesso de sons, imagens, palavras e, sobretudo de informação. Como manter o foco? No Flow, a equipe da SPUTNiK ajuda a fazer do tempo o nosso melhor amigo. Aqui, a gestão do tempo é o segredo para uma equipe mais produtiva e feliz — e que vai para casa cedo, sem culpas.

A seguir, conheça um pouco sobre uma velha conhecida: a procrastinação. Mas, calma, aqui, sabemos por onde correr. Vem com a gente.

SPOILER: Procrastinação não é Preguiça

É a tela em branco. A conversa que nunca acaba na mesinha do café. É o soninho depois do almoço. Os testes de personalidade da internet ou, até mesmo, o horóscopo do dia. A procrastinação não tem hora nem formato próprio. Ela chega em peso e, quando menos esperamos, rouba as nossas horas e a nossa produtividade. Podemos defini-la como aquele estado letárgico em que temos mil ideias e tarefas na cabeça, mas nada na mãos para começá-las, inclusive aquele impulso tão necessário que, muitas vezes, chamamos de motivação, ou iniciativa.

Até parece que a procrastinação é um fenômeno nativo dos nossos tempos, não é mesmo? Afinal, estamos na era das maratonas de série, dos podcasts infindáveis, das newsletters e de outras fontes de conteúdo que, de fato, competem com nosso tempo produtivo de trabalho. No entanto, a procrastinação é uma velha amiga da Humanidade, sendo alvo de estudos durante séculos.

Navegando um pouco para alguns séculos atrás, é sabido que um dos maiores gênios da História, Leonardo da Vinci, era um grande procrastinador: movido pela curiosidade e pelo perfeccionismo, o intelectual dedicava mais horas buscando o âmago das questões que circundava suas obras artísticas e científicas do que as executando. No seu pescoço, sempre carregava consigo um caderninho para anotar as diversas ideias que carregava para cima e para baixo. O apreço por divagar, no entanto, não impediu que Da Vinci deixasse, para a Humanidade, um legado que até hoje salta aos olhos, desde a Monalisa até seus estudos em diversas áreas do conhecimento.  Nesta página, inclusive, encontramos histórias de outras personalidades que também estabeleceram uma relação tempestuosa entre sua produtividade e o tempo e, ainda assim, produziram obras-primas em vários campos.

Se a procrastinação, nesses casos, pode ser considerada um sinônimo de uma busca desenfreada pela perfeição (e que já começa sem vitórias), é hora de contar sobre o seu lado devastador — e do qual precisamos focar nos próximos parágrafos. Afinal, não estamos diante de uma crise generalizada de preguiça. A procrastinação, na verdade, abre caminhos para vários problemas que carregamos dentro de nós.

No TED Por dentro da mente de um mestre na procrastinação, o escritor Tim Urban conta suas experiências com a procrastinação de forma bem-humorada, mas bem daquele jeitinho que sabemos, em que um riso esconde uma lágrima. É impossível não se identificar com a figura do Tomador de Decisões Racionais, que existe no nosso cérebro, sendo influenciado pelo Macaco das Gratificações Instantâneas a abandonar o volante, entregando-o para o nosso amigo que vai, aos poucos, nos conduzir para um caminho muito distante da realização de nossas tarefas, o que Urban chama de Parque Obscuro, ou seja, a realização de atividades prazerosas em momentos inadequados e que, ao final, nos leva a uma sensação de ansiedade e de culpa. Até que o Monstro do Pânico chega, avisando sobre nossos prazos apertados e de como ainda estamos a quilômetros de distância da conclusão das nossas tarefas e, desesperado, tenta nos colocar no caminho certo antes que o tempo acabe.

Então chegamos, portanto, na rota, tal como define o especialista no tema, o psicólogo Timothy Pychyl, na lacuna entre a intenção e a ação. O mesmo estudioso alerta, inclusive, que estamos diante de um mal que afeta não apenas nossos compromissos sociais, mas nossa saúde física e mental.

É importante compreender o que pode nos levar à procrastinação. Cada caso é um caso, mas encontramos alguns sintomas que podem ajudar a entender o que está acontecendo:

Perfeccionismo — a síndrome do momento ideal

Tal como acontecia com Da Vinci, podemos estar sofrendo de alguma mania por buscar algo que não vamos encontrar: o ponto perfeito para nossa tarefa. Mas não há momento ideal. Antes feito, do que perfeito.

Angústia diante de grandes responsabilidades

É uma síndrome do impostor que nos acomete. De repente, nos convencemos de que não somos capazes, e ponto final. Quando nos delegam grandes tarefas, buscamos atalhos para não realizá-las. Podem ser desde uma preparação sem fim — e, quase sempre, injustificável — ao que não vamos começar nunca ou, até mesmo, uma busca por lamentos ou outros recursos que possam, até o fim, nos afastar ao cumprimento das atividades. No fundo no fundo, é o medo de crescer ou de não ser capaz de encarar a vida de frente. Ou falta de trabalhar a nossa autoestima diante de momentos decisivos de transição na nossa vida. 

Problemas emocionais ou com a saúde

Aqui, chegamos, inclusive, ao que podemos identificar como o verdadeiro toque na ferida. Muitas das crises de procrastinação que nos acometem ocorrem por causa de nossa dificuldade em gerenciar diversas emoções negativas. O que justifica, também, por que não consideramos a procrastinação como uma crise generalizada de preguiça. Aqui estamos diante de um problema que está muito mais próximo a um sintoma de que algo não vai bem na saúde. Um estudo da Universidade de Leuphana identificou que a nossa capacidade de lidar com emoções negativas, podem estar diretamente ligadas a uma capacidade de resistência diante da procrastinação. Algo que, em momentos difíceis da nossa vida, seja por acontecimentos ou, até mesmo, por problemas de saúde que afetam nosso bem-estar mental, são quase impossíveis de ser gerenciados. Ou seja, não é a nossa culpa. Mas é um sintoma de que algo não vai bem e de que está na hora de buscar ajuda.

Modos de driblá-la

E terminamos com uma boa notícia: hoje, a procrastinação é reconhecida como algo tão presente no dia a dia de todos que não faltam ferramentas e outros inputs para combatê-la. Trouxemos algumas delas que vão ajudar de diferentes formas, acionando áreas distintas do nosso corpo e da nossa mente:

  1. Em primeiro lugar, o reconhecimento facial: é qual tipo de procrastinação, mesmo? 

A procrastinação, como sabemos, é muito parecida com a preguiça, mas, é muito mais do que isso. Ela possui diversos níveis de complexidade, e é preciso saber identificá-los para tomar a medicação mais adequada. O atraso da tarefa, por exemplo, pode ser inevitável, ou seja,  sobrecarga de atividades, necessidade por mais informações para a execução e outros problemas tornou inevitável a perda do controle sobre a situação. 

Também temos a situação em que a procrastinação vem por causa de um desejo (e um tanto perigoso, digamos), de adrenalina, em que a pessoa de fato gosta de deixar tudo para última hora. Há também um sentimento de vício para ter o Macaquinho das Gratificações Instantâneas ao nosso lado o tempo todo, ou seja, uma procrastinação que ocorre porque não conseguimos abrir mão de nossos prazeres em primeiro lugar.

E, finalmente, temos a procrastinação que é filha dos nossos problemas psicológicos e aqui cabe entender  as emoções e julgamentos individuais que estão dando espaço para ela. Para Fuschia Sirois, professora e psicóloga na Universidade de Sheffield, no Reino Unido, uma situação recorrente é a fuga do humor, em que adiamos tarefas porque não conseguimos driblar sentimentos negativos. E, aqui, é muito importante medir se não é o momento de pedir ajuda.

  1. Então dê o primeiro passo

Sabe todas as manhãs, quando encontramos aquela dificuldade para sair da cama? Não sentimos uma sensação de vitória quando conseguimos sair do loop da sonecar e, finalmente damos o primeiro passo em direção ao novo dia? Procure fazer a mesma coisa com a procrastinação. Dê um primeiro impulso que, com certeza, você vai entrar em um modus operandi de trabalho sem fim. O segredo aqui, é agarrar-se em tarefas pequenas, que, a princípio, não vão despertar o macaquinho compensador do seu eu. Quando você menos esperar, já estará no próximo nível de dificuldade da tarefa. E não encontrará freios para concluir sua tarefa. 

  1. Estabeleça estratégias de combate 

Faça uma lista mental, se possível também escrita, do que pode acontecer se você não entregar suas tarefas. Terá perdas emocionais e financeiras? Não vai curtir a breja do fim de semana, pois a mente ainda estará presa à atividade que não conseguiu concluir? É um exercício para lembrar o quão tortuoso ficamos quando estamos presos no Parque Obscuro. Uma ótima desculpa para deixar a procrastinação de lado.

  1. Adote o Mindfullness como mantra

Uma das técnicas mais utilizadas para combater stress, ansiedade e outros problemas de saúde crônicos, o mindfullness também pode ser um poderoso aliado no combate à procrastinação. Adote exercícios em que você possa sentir, e estudar, a sua respiração, por meio de práticas de meditação que, aos poucos, vão ajudar a ter mais foco e concentração diante dos barulhos do cotidiano. Hoje, há vários exemplos de exercícios no Youtube que podem servir como uma introdução da prática. Se jogue.

  1. Use e abuse da tecnologia: adote aplicativos de gestão de tempo

Encontramos diversos aplicativos de tecnologia no mercado, que adotam vários conceitos de gerenciamento de tempo. Um dos mais populares é a prática do Pomodoro, que consiste repartir tarefas em intervalos de tempo.

Seguem alguns exemplos de aplicativos: 

  • Be Focused (iOS)
  • Meu Pomodoro (iOS e Android)
  • Flat Tomato (iOS)
  • Cuckoo (iOS e Android)
  • Focus Timer Reborn (Android)
  1. Não se reprima 

Ainda assim, não consegue encontrar o foco? Não se culpe. Não caia na armadilha  de, a cada momento de fracasso, considerar-se o maior perdedor do mundo. Uma dica é tentar externalizar esses momentos, entender como eles aconteceram. Pare, respire, anote. E cole em post-its na parede do quarto, ou até mesmo do escritório. Serão recados amigáveis de que, na última vez, sua procrastinação foi o impedimento para um dia útil ou satisfatório. E que você, dessa vez, terá mais forças para pará-la.

  1. Imagine o seu eu do amanhã e comemore quando alcançá-lo 

Aqui, deixe a imaginação voar quando você não encontrar um bom argumento pessoal para combater a procrastinação. O que você ganha ao não realizar as atividades? Nada, não é mesmo? Mas, e o outro lado: quais são os benefícios: não tenha medo de pensar nas coisas boas que você ganhará a curto e longo prazo. Estamos diante de uma fantasia que só depende de você para que ela saia do papel.

A procrastinação pode ser um elefante azul na sala, mas admitir que ela está entre em nós é o primeiro passo para criar coragem de pedir, por gentileza, que se se retire. É um caminho árduo que envolve altos e algumas recaídas, mas, quando estamos falando de nossa saúde física e mental, não há tempo a perder: logo, não deixe para amanhã para cuidar da procrastinação de hoje.

Resoluções de ano novo: aprenda como administrar o tempo para buscar suas metas em 2020

Estamos na reta final do ano mas, antes de abrir a primeira champagne, que tal começar 2020 com os pés no chão, e com uma agenda nova — e muito mais organizada? Há muitas ferramentas que podem ajudar na elaboração de resoluções do Ano Novo factíveis e fundamentais de serem colocadas em prática. No Flow, a equipe da SPUTNiK apresenta várias que podem conversar com o momento em que você se encontra. Afinal, em contextos velozes de informação acumulada e de novidades tecnológicas, é preciso deixar o tempo no nosso lado da força. 

A seguir, temos alguns hacks que vão ajudar você a ter os ponteiros sempre na hora certa, ensinando como administrar o tempo durante todo o ano de 2020. 

Como administrar o tempo: uma obsessão que não é só sua

Todo ano, você faz tudo igual. Desenha planos, se empolga com a agenda que ganhou no amigo secreto e desenha um planejamento para o semestre inteiro, com a promessa de, no meio do ano, fazer um check-list das coisas cumpridas para, finalmente, dobrar a meta. No entanto, chega maio e você já está de mãos atadas: nada foi cumprido. Não houve, sequer o primeiro passo. E, entre tantos motivos, você se dá conta de que foi ou muito otimista ou perdeu a mão de fato em relação ao tempo.

Mas temos uma boa notícia: saber como administrar o relógio e o calendário é uma preocupação tão antiga quanto a história da Humanidade. Poucos conseguem estabelecer uma relação natural com ela sem, antes, passar por diversos perrengues. Entre as exceções, é muito famoso o caso do político e cientista americano Benjamin Franklin, famoso pelo seu papel na Independência dos Estados e nos avanços da descoberta da eletricidade, era conhecido, lá nos primórdios da Revolução Industrial, por seu sistema de gestão de tempo, que podemos identificar como de autoaprimoramento: uma tese em que afirmava que, uma vez que uma pessoa descobria o propósito ou a prioridade da sua vida, poderia configurar todo o seu tempo para que pudesse estar apta a correr atrás das atividades relacionadas ao que mais lhe importava. 

A partir do conceito de Franklin, ao longo dos séculos, psicólogos e estudiosos do gerenciamento do tempo desenvolveram diversos conceitos e orientações sobre o tema.  E tiraram, a partir dos conselhos do americano, três passos importantes que não envelheceram apesar das mudanças da sociedade: 

1 . Começar com um compromisso bem estabelecido a um comportamento 

2. Trabalhar com uma tarefa ou praticar um hábito por vez

3. Deixar, ao seu alcance, diagramas, fluxogramas, notas e outros lembretes visuais sobre o que importa.  

Hoje, temos metodologias ágeis, softwares de gestão de tempo e outros recursos que podem ajudar a gerenciar o tempo. Ao mesmo tempo, o tempo e as demandas do mercado de trabalho são muito mais complexas do que a época de Franklin. Mas os passos acima, além de atemporais, são fundamentais para uma relação saudável com a gestão do tempo. Afinal de conta, já estamos inseridos em uma sociedade que nos pressiona de todas as formas, todos os dias. Então, antes de lotar o planner com mais metas que, provavelmente, você não vai alcançar, pare, respire e reflita o quanto você quer as metas que planeja trabalhar no seu dia a dia em 2020. A partir daí, reafirmado os seus propósitos, você tem a nossa carta branca para seguir as dicas que temos a seguir. 

Hacks para administrar o tempo antes mesmo de pular as sete ondas

Muitas vezes, pecamos em excesso e, agora, temos um spoiler: para você começar 2020 com tudo, é preciso, antes mesmo de virar o ano, abandonar manias e sentimentos que não tiram ninguém do lugar. Por isso, adotamos uma estratégia inusitada para contar nossas dicas sobre como administrar o tempo de uma forma bem-sucedida. Separamos várias atitudes que você deve abandonar — para abraçar outras, sem medo de encontrar o final do seu arco-íris.

  1. Não subestime o poder do analógico

A ciência já comprovou: escrever ajuda a reafirmar compromissos. Um estudo da Universidade de Toronto acompanhou cerca de 700 alunos que, após dois anos sendo motivados a anotar em papéis as metas que queriam alcançar, conseguiram êxitos em boa parte delas. Logo, compre uma agenda, ou um planner. E não tenha medo de rabiscar quantas vezes for necessário. Isso só vai acionar o cérebro a ser mais disciplinado com as metas que deseja alcançar — e que, uma vez no papel, vão ser compromissos imbatíveis a qualquer tentativa de procrastinação. 

  1. Mas também não tema em aderir ao tecnológico transformação digital está aí para isso

Já adiantamos lá atrás mas, hoje, a inserção da tecnologia no nosso dia a dia pode otimizar vários processos que vão muito além do escritório e um deles está relacionado ao gerenciamento do tempo. Abrace as metodologias ágeis, e procure aplicativos que tragam a agenda para o seu celular. A tecnologia, inclusive, pode ajudar a combater alguns males colaterais à dificuldade administrar o tempo, como a procrastinação. 

  1. Não tenha medo de relaxar quando for necessário 

Não cansamos de bater na tecla: a saúde mental é um dos principais cuidados que merecem atenção no nosso século. E muitos dos problemas que, muitas vezes, adquirimos com a dificuldade de gerenciamento de tempo, estão relacionadas com a ausência de momentos de respiro. Leia um livro, faça atividades físicas, procure atividades em que possa exercer a criatividade. Não deixe de incluir no planner aquele domingo à toa ou aquela viagem que há meses vocês está adiando, mas que bem poderia ajudar a esvaziar a mente e, consequentemente, renovar o ânimo para bater as metas. 

  1. Não tenha medo de delegar tarefas

Tem dificuldades para terceirizar atividades? Pratique a arte do desapego: nem tudo podemos resolver. Trabalhar em equipe é uma das capacidades mais esperadas pelo mercado, use isso ao seu favor ao saber com quem contar para realizar aquela atividade que, infelizmente, vai ficar fora da sua agenda. Delegar é um momento muito bom para reconhecer nossas vulnerabilidades e limitações e, ao mesmo tempo, fortalecer a confiança e, por tabela, o relacionamento, com colegas que ainda vão nos acompanhar em muitos momentos — e, um dia, também vão precisar delegar tarefas em troca. 

  1. Não se renda à procrastinação 

A procrastinação anda lado a lado com a incapacidade em gerenciar o tempo. Há muitas forma dela se manifestar na nossa rotina e, o segredo, aqui, é identificá-la o quanto antes para cortar o mal pela raiz. Já contamos seus tipos e já passamos nossas dicas. Consulte aqui e já comece o ano com todas as ferramentas possíveis de prevenção. 

  1. E não se perca no FOMO

Fear of Missing Out é uma expressão muito famosa para a mania recorrente de acompanhar tudo o que acontece nas nossas redes sociais. Mas já sabemos, excesso de informação só atrapalha. Por isso, adote uma atitude de desapego com o que acontece no seu Instagram ou Facebook. Busque por aplicativos que possam ajudar na jornada — há alguns que, inclusive, bloqueiam as redes sociais se excedermos um tempo considerado aceitável. Entre no hype do Jomo — Join of Missing Out — que, garantimos, é muito mais saudável à administração do seu tempo. 

  1. Não faça tudo de uma só vez 

Estabeleça uma meta de cada vez. Quer, no mesmo ano, fazer um intercâmbio, aprender um novo idioma e mudar de emprego? Estabeleça meses, trimestres, o tempo que for exigido para cada uma das datas, e tranque cada período para cada uma delas. Abraçar o mundo só causa ansiedade e desorganização. No fundo, saber como administrar o tempo é saber como adotar uma rotina mais leve mas, ao mesmo tempo, com aquela adrenalina positiva e gostosa de que as coisas estão acontecendo — só que cada qual no seu devido espaço.

Saber como administrar o tempo pode ser, de fato, uma arte, mas está ao alcance de todos. Vá além da disciplina: apaixone-se por seus objetivos. Encare-os como sonhos e aprecie a maratona para alcançá-los. Saiba correr com o ritmo certo, entre trotes, passadas curtas e largas que, harmoniosamente, são capazes de nos levar no topo do pódio.

Igualdade X Equidade: existem diferenças entre os termos e você precisa conhecê-las



Somos todos iguais perante a direitos fundamentais de existência, mas não carregamos as mesmas oportunidades. Ter a consciência de que estamos inseridos em uma sociedade calcada pela desigualdade, inclusive, é primeiro passo para a mudança. E os demais, quais são? Com o Plural, fazemos questão de pôr o dedo na ferida. Afinal, estamos em uma época dominada pelas mudanças céleres da transformação digital, mas precisamos, acima de tudo, quebrar muros que, para a SPUTNiK, já não faz mais sentido que ainda existam. Aqui, mostramos quais são as marretas que precisamos usar para quebrá-los. 

A seguir, fazemos um convite para conhecer uma balança que é muito importante para mensurar as estruturas desiguais que ainda moldam as nossas relações. Igualdade e equidade são duas palavras que encantam, mas confundem muita gente, e está mais do que na hora de conhecer as diferenças que carregam dentro de si.

Igualdade versus Equidade: recorrendo ao dicionário

E se contarmos que o feminismo e outros movimentos sociais que lutam por minorias estão, na verdade, lutando por equidade, e não por igualdade?

É muito comum haver uma confusão entre igualdade e equidade. Um conceito está associado a uma condição ideal e teórica; o outro, por sua vez, corre atrás da reparação dos problemas causados pelo fato de, quase sempre, essa teoria não sair para a prática.

Trocando em miúdos, podemos pedir ajuda para o senhor Dicionário: Lá, encontramos as seguintes definições para cada um dos termos:

Igualdade: sf

1. Qualidade daquilo que é igual ou que não apresenta diferenças; identidade.

2. Conformidade de uma coisa com outra em natureza, forma, proporção, valor, qualidade ou quantidade.

3. Nivelamento ou uniformidade de uma superfície.

4. MAT Expressão da relação entre duas quantidades iguais; equação.

5. Identidade de condições entre os membros da mesma sociedade.

6. Qualidade que consiste em estar em conformidade com o que é justo e correto; equidade, justiça.

Ainda segundo o dicionário, a etimologia da palavra vem do latim aequalitas, associada a um estado e a uma condição de coisas iguais. Isso podemos ver facilmente nas operações matemáticas quando a presença do sinal “=” representa que temos nos dois lados da equação, valores que, calculados entre si, precisam chegar ao mesmo resultado. 

Agora, vamos consultar o dicionário para conferir o que significa equidade: 

Equidade:

  1. Consideração em relação ao direito de cada um independentemente da lei positiva, levando em conta o que se considera justo.
  2.  Integridade quanto ao proceder, opinar, julgar; equanimidade, igualdade, imparcialidade, justiça, retidão.
  3.  Disposição para reconhecer imparcialmente o direito de cada um.”

Ainda, encontramos a etimologia da palavra no latim aequitas, que remete a uma capacidade de apreciar e julgar com imparcialidade e justiça, o que significa implementar ações que corrijam situações de desigualdade. É a palavra-chave, portanto, que precisamos utilizar para buscar ações que combatam exclusões e outros prejuízos que ocorrem pela diferença dos diversos grupos que compõem nossa sociedade. Pois em um mundo ideal, viveríamos equações sociais regidas pela igualdade. Mas para isso, precisaríamos encontrar uma sociedade em que todos saíssem do mesmo lugar. E sabemos que não é bem assim. Afinal:

  1. Ainda enfrentamos a desigualdade de gênero: temos uma população em que 50% da população é composta por mulheres. No entanto, elas ainda ganham menos em todas as ocupações. Segundo uma pesquisa do IBGE, há uma diferença de 20,5% entre salários de homens e mulheres no Brasil. E, globalmente, apenas 16% das mulheres ocupam cargos de liderança em empresas de diversos países. 
  2. Temos uma sociedade que fecha as portas para a população LGBT: se não há muitos dados sobre a inserção da população LGBT no mercado de trabalho, o Brasil é um dos países que mais comete assassinatos motivados por homofobia e transfobia. 
  3. Vivemos em um país que ainda não fechou as feridas do racismo: no plano social, econômico e político, observamos situações críticas que apenas marginalizam a população negra no Brasil. No mercado de trabalho, é camada da sociedade que mais enfrenta o desemprego. Para sermos mais exatos, ela compõe 64% da população que não consegue um trabalho. 
  4. Não estamos preparados a incluir idosos e pessoas com deficiência: Entre outros fatores, observamos que a crise econômica está levando pessoas acima de 50 anos de volta ao mercado. Mas há uma grande dificuldade de recolocação para elas. E, da mesma forma, também encontramos uma lacuna de interesse para compreender a inserção, e a exclusão, de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. 

Dessa forma, temos dados que justificam porque a equidade é um caminho para implementar ações que, de certa forma, tragam um equilíbrio maior à balança, trazendo, para o lado da igualdade, pessoas que não tiveram acesso a diversas oportunidades e que, com iniciativas reparadoras, podem chegar perto, e, de preferência, ao lado, daqueles que sempre estiveram rodeados por privilégios.

Foco na equidade: como colocá-la em prática — e sem erros?

“Não basta tirar para o baile. Tem que convidar para a dança”. Esta expressão famosa é muito utilizada quando falamos sobre a necessidade de incluir, de fato, minorias que ainda não ocupam diversos espaços da sociedade. E esse processo de inclusão só é possível, muitas vezes, por meio de estratégias diversas de equidade. Enquanto não há uma receita de bolo pronta para implementá-las, trazemos alguns inputs que podem ajudar:

  1. Em primeiro lugar, traga pluralidade para a conversa: convide pessoas que possam trazer insights para o tema que realmente farão a diferença. Não possui uma ala de inclusão e diversidade na empresa? Não acredita que está na hora de criá-la? 
  2. Incentive processos seletivos às cegas — e que explore aptidões que vão muito além da técnica: Com a transformação digital, a gestão de recursos humanos ganhou uma importante aliada. Aqui, questionários criativos, que trabalhem habilidades que vão muito além da hard skills, e que, ao mesmo tempo, não evidenciem as origens sociais e de formação dos concorrentes, é um caminho para uma implementação indireta de equidade, já que diminuem os famosos privilégios de cor e de classe tão presentes nos modelos conservadores de contratação. 
  3. E, se o processo não é às cegas, incentive a criação de cargos que tragam mais diversidade para as empresas: Mas se sua empresa ainda estiver engatinhando quando o assunto for a implementação de ferramentas tecnológicas para contratações às cegas, abrace as cotas sem medo. Verifique as posições estratégicas em que há o famoso padrão homem-branco-heterossexual. Permita que, no ato da inscrição, candidatos valorizem suas origens minoritárias. E, principalmente, pratique a equidade em sua excelência ao abrir vagas exclusivas para grupos que, quase sempre, começam em desvantagem na corrida por uma vaga no mercado. 
  4. Realize ações de Team Building voltadas para a conscientização da equidade: Se o processo de equidade pela inserção de grupos diversos começa nos processos seletivos, ela não termina ali. Ações de Team Building que enfatizem a presença e as mudanças que devem ser feitas graças a um grupo mais diversificado, devem trazer à tona processos de cuidados e de práticas de respeito às diferenças. Aqui, o encontro de mundos diversos só vai gerar um ganha-ganha se houver o compromisso, de fato, de incluir profissionais que, lá atrás, por vezes estiveram atrás na corrida mas, uma vez no time, terão sua vez de subirem no mesmo lugar do pódio dos seus demais colegas.

É incômodo, e quase indigesto, saber que somos a favor da igualdade de direitos, mas ainda vivemos em uma sociedade que precisa de medidas de equidade para a reparação de justiças diversas. Afinal, isso significa que ainda estamos muito longe do ponto de chegada do que entendemos como uma sociedade justa, benéfica e saudável para todos. Mas estar disposto a arregaçar as mangas já é uma atitude que ajuda a roda a voltar a engrenar. Hoje, falamos mais sobre diversidade nas empresas e encontramos uma percepção cada vez maior da importância de cotas em processos seletivos, ou da busca por profissionais que fazem parte de grupos que, embora estejam na base da sociedade brasileira, ainda estão ausentes dos principais espaços de criação e de produtividade do mercado. Enquanto a igualdade que queremos ainda for uma teoria abstrata, “ninguém solta a mão de ninguém” é um mantra que deve nos acompanhar em todas as lutas para que a chama da equidade resista acesa e traga mais cor e diversidade para a dança. 



RH, criatividade e estratégia: o papel crucial da gestão de recursos humanos na transformação digital da sua empresa

Não basta deixar tudo nas mãos do “cara de TI”. Para colocar a empresa na rota da vanguarda da transformação digital é preciso que o todo o coletivo abrace a revolução. E integrar setores diversos nessa nova onda nem sempre é fácil. Com o Digitalize, a SPUTNiK desmitifica os novos tempos e convoca a verdadeira protagonista do show: a cultura de pessoas, responsável por facilitar a mediação entre o propósito de ontem e o legado de hoje, ao fazer com que cada colaborador saiba tirar do digital a ferramenta de impacto que sua empresa precisava.

A seguir, vamos contar por que a gestão de recursos humanos é tão importante para que a transformação digital seja mais do que colocar tudo na nuvem.

Por que a gestão de recursos humanos?

O RH, portanto, não é apenas o guardião da empresa que separa o joio do trigo. Como observamos, se os processos ganharam novas complexidades, a gestão de recursos humanos também se reinventou, e hoje desempenha um papel que vai muito além da escolha e do descarte de currículos. E, se formos parar um pouquinho para pensar, o setor sempre desempenhou um papel decisivo em momentos emblemáticos de mudanças no meio corporativo. Se hoje falamos em RH digital, tivemos, antes dessa etapa, o momento do RH 2.0, quando, lá atrás, as empresas passaram a reconhecer o papel estratégico do colaborador e, dessa forma, começaram a ter uma relação de parceria entre lideranças e times, mediados pela gestão de recursos humanos. Hoje, o RH 3.0 precisa acompanhar as mudanças tecnológicas, entender como elas impactam as organizações e encontrar uma balança entre o capital humano e o digital.

Reconhecemos a transformação digital como a mola propulsora das ações produtivas dos nossos tempos, mas, por trás dela, já reconhecemos que é preciso o desenvolvimento de habilidades que nem sempre estão relacionadas ao manejo das possibilidades tecnológicas que ela trouxe. É famoso o relatório do Fórum Econômico Mundial, de 2016, que aponta que as 10 competências mais valorizadas pelo mercado de trabalho, em 2020, estão no campo das soft skills — ou seja das habilidades socioemocionais. O ano está se aproximando e essa previsão já está prestes a se tornar realidade. E, a partir dela, já encontramos várias questões que adiantam o papel crucial da gestão de recursos humanos na transformação digital das empresas:

  • Team Building: O primeiro passo é garantir uma equipe unida e que esteja na mesma sintonia. Nem sempre (ou melhor, quase nunca) é possível garantir isso de forma natural. Por isso, o gestor de recursos humanos acaba sendo um dos grandes responsáveis por ações de Team Building que estreitam os laços entre os colaboradores, por meio de treinamentos corporativos e coletivos, ações de integração, entre outros momentos que são importantes para um ambiente de trabalho produtivo e, acima de tudo, saudável. 
  • Onboarding: É o momento de integrar novos colaboradores à cultura da empresa. Em realidades de trabalho cada vez mais complexas, muitas vezes o trabalho de receber um novo colaborador acaba ficando em segundo plano, o que pode causar insegurança e até mesmo uma crise de desânimo para o recém-chegado. Cabe ao RH criar pensar em ações imersivas que contribuam para a integração mas, ao mesmo tempo, já preparem o colaborador para a cultura digital em que a empresa está inserida, apresentando ferramentas ou, até mesmo, utilizando a tecnologia para experiências com jogos, cursos online interno e outros recursos que possibilitem maneiras criativas e práticas de apresentação.
  • Desenvolvimento pessoal dos colaboradores: Também cabe à gestão de recursos humanos um olhar sistêmico sobre as competências técnicas e socioemocionais demandadas pelo negócio, e que precisa estar presente entre os colaboradores. Investir na qualificação dos colaboradores é um caminho aconselhável para uma equipe mais capacitada e, ao mesmo tempo, engajada com a empresa. E nada melhor que o RH para realizar uma curadoria do que é realmente necessário e benéfico para todos os lados, sendo o responsável pela aquisição dos cursos que sejam realmente necessários para o momento que a empresa e o colaborador vivem.  
  • Cultura interna mais saudável: Se as soft skills ganharam os holofotes, podemos dizer o mesmo sobre a saúde mental no mundo do trabalho. Hoje, temos o burnout reconhecido como uma das principais causas de doenças entre trabalhadores, ocupando um lugar na lista da Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde. Uma gestão de recursos humanos efetiva precisa estar de olhos atentos às condições de trabalho das equipes, observando possíveis ameaças para a saúde física e mental dos colaboradores, ao mesmo tempo em que é o mediador entre os times e as lideranças na busca por uma cultura que traga mais flexibilidade e qualidade de vida no dia a dia do escritório.   

Na pesquisa internacional “The Future of HR”, da consultoria especializada em estratégia de negócios, Gartner, líderes e profissionais de recursos humanos foram entrevistados para contar sua percepção sobre o impacto da transformação digital no seu trabalho. Enquanto Dois terços das lideranças entrevistadas admitiram que, se não houver uma digitalização mais intensa dos seus negócios em 2020, deixarão de ser competitivos, 88% dos profissionais de RH disseram que as empresas em que atuam precisarão investir em duas ou três mais novas soluções tecnológicas para que possam acompanhar os ritmos e as demandas do mercado em relação ao seus setores. Enquanto isso a Deloitte, em pesquisa sobre tendências globais nos Recursos Humanos, constatou que 56% das empresas que entrevistou passam por um processo de redesign dos seus setores de gestão de recursos humanos, adaptando-os para que implementem ferramentas digitais e móveis no dia a dia. E 33% das equipes de RH que foram entrevistadas já utilizam tecnologias de inteligência artificial para encontrar soluções ou aplicar serviços da área. 

Um passo a passo para um RH do futuro — mas que já transforme o hoje

A Deloitte identifica três eixos de atuação que podem ser adotados pela gestão de recursos humanos:

  • Reestruturar a organização para permitir a transformação digital: A gestão de recursos humanos precisa atuar em conjunto com as lideranças para que a empresa realmente esteja preparada para redefinir processos a partir das novas possibilidades tecnológicas. 
  • Desenvolvimento de um lifecycle para o talento digital da empresa: Aqui, o RH está em uma posição estratégica de pensar em um planejamento de retenção de talentos que, para os que estão chegando, atendam às necessidades técnicas da transformação digital, mas encontrem um espaço de desenvolvimento para as habilidades socioemocionais necessárias para esse novo paradigma de trabalho. E para os que já fazem parte do time, o incentivo à capacitação, por meio de treinamentos corporativos oferecidos pela empresa desempenham um papel crucial para um planejamento de retenção de talentos. 

A partir deles, podemos encontrar algumas atitudes que, no dia a dia, já elevam o nível do impacto do RH 2.0 na cultura de pessoas da empresa em relação a:

  1. Criatividade e otimização para processos de seleção mais eficazes

Hoje, observamos a adoção de processos seletivos online, mas que buscam uma seleção que explore competências diversas do profissional e fuja de vieses que, muitas vezes, encontramos em métodos tradicionais. Jogos que exploram as soft skills dos candidatos, formulários que permitem o envio de materiais que contam momentos diversos da sua trajetória estão entre os exemplos de recursos que a transformação digital permite e que cabe à gestão de recursos humanos verificar se faz sentido para a realidade da sua empresa. 

  1. Simplifique a vida: automatize

Triagem de currículos, acompanhamento de resultados, pesquisas de satisfação entre líderes e liderados… Hoje, muitos softwares ajudam a fazer com que diversas atividades seja menos onerosas em relação a tempo e gastos financeiros da empresa. Filtre o que mercado tecnológico já oferece e que poderia ajudar o seu trabalho, otimizando um tempo que poderá ser realocado para outras atividades mais complexas. 

  1. Não fuja dos dados: colete, analise, repense

Não se apegue a soluções. E não tema os dados. Hoje, a gestão de recursos humanos precisa ter sensibilidade para compreender as necessidades e ameaças das equipes, mas também é necessário ter um senso analítico apurado, e uma disposição para produzir métricas que verifiquem pontos estratégicos dos negócios de ponta a ponta, no que diz respeito ao capital humano da empresa. Pense no investimento em ferramentas que possam contribuir para mensurar o nível de performance e entrega dos colaboradores, além do seu nível de engajamento e das possíveis necessidades que podem surgir em relação a capacitação técnica para o trabalho.  

  1. Seja flexível e faça um colaborador mais feliz

Lembra da importância do RH para uma cultura de trabalho mais flexível e saudável? Para isso, a transformação digital também pode ser utilizada a favor. Home office, uso de métodos ágeis que envolvem softwares de gerenciamento de trabalho, são algumas das soluções que, aos poucos,podem ser implementadas para contribuir para a produtividade e para a qualidade de vida dos colaboradores. Pense em ferramentas que também possam fazer uma mensuração precisa do nível de satisfação e de produtividade interna, para que possam ajudar a gestão de recursos humanos a cortar o mal pela raiz diante de qualquer ameaça à saúde física e mental dos times.   

  1. Não tenha medo do redesign e mude a rota, se for preciso 

Não tema dar o primeiro passo quando verificar que, afinal, a empresa ainda está navegando por caminhos diferentes, e mais distantes, do digital. Já é quase um consenso de que quem não investir na tecnologia, ficará para trás. Evite esse destino para a sua empresa e seja a ponte de mediação para novas possibilidades que só vão trazer impactos positivos para o seu trabalho e para os negócios.

A transformação digital pode oferecer infinitas possibilidades para negócios de todos os nichos, mas é muito importante encará-la como um processo que, lá no fundo, reestrutura não apenas os nossos processos de produção, mas a forma como nos relacionamos com nossos vínculos profissionais, o que inclui desde a nossa perspectiva com a cultura e os propósitos da empresa até o trabalho em equipe. Nessa transição, a gestão de recursos humanos desempenha um papel essencial para que o ambiente de trabalho, mais do que um espaço antenado às tendências que fazem a roda do mercado gerar, continue sendo um local de criatividade e de ações que provocam impacto na sociedade e até mesmo nas nossas vidas.

Graças ao RH, podemos pensar que, se organizar direitinho, todo mundo encontra o seu lugar ao sol nesses novos tempos.