Quando tudo pede um pouco mais de calma

“Até quando o corpo pede um pouco mais de alma

A vida não para”

Lenine

Tivemos uma longa (e profunda) jornada até aqui. Mas, afinal, que aprendemos sobre paciência? Começamos fazendo um convite inesperado para você – e para nós mesmos – nos desconectarmos da loucura do seu ambiente de trabalho, parar um pouco e respirar. Bem fundo. Porque quando a gente para, passa a escutar o que o nosso corpo tem a dizer. Em meio ao caos, ele sussurra, pede socorro, mas na maioria das vezes, deixamos nosso corpo no vácuo. Não damos ouvidos justamente porque estamos muito ocupados, correndo, uns de nós até se descabelando. E todos nós nos vemos, no final do dia, tão impacientes que chega a dar medo. Você se pega se irritando com coisa pequena, aumentando o tom de voz para conversar com o colega da mesa ao lado, levando para casa os problemas não solucionados, a raiva contida, o grito que ficou contido. Ou que escapou mais alto do que deveria ser.

Quando começamos, trouxemos um questionamento: você acredita que ser forçado a esperar torna as pessoas mais bem-sucedidas? Até para nós (confessamos!) foi difícil de aceitar. Porque, hoje, esperar por algo é tão difícil, que optamos por tentar antecipar o futuro para chegar mais rápido ao sucesso, mas esquecemos que temos muito o que aprender com o passado, que não está tão distante assim. O imediatismo do mundo nos obriga a correr, enquanto a melhor solução seria justamente o contrário: parar.

Pensar em paciência dentro do universo corporativo é como colocar a linha no buraco da agulha. Pode parecer impossível, mas no final sempre dá certo e a gente consegue costurar com calma uma situação tomada pelo stress. É verdade que a paciência tem limite, mas isso não significa que ela se esgota facilmente. menos, não deveria.

Será que temos tempo a perder?

Ninguém nunca quer esperar, muito menos perder. A ideia da perda é dolorosa, e está muito relacionada à vulnerabilidade. Um profissional que se sente vulnerável coloca em xeque a sua performance, e todo o time pode ser afetado. Mas e se esse profissional decide parar e recobrar o autocontrole para deixar a irritação de lado e abusar da calma para tomar as melhores decisões? Sim, quando estamos impacientes, uma simples conversa vira discussão, e um argumento se transforma numa guerra sem fim e, mais do que isso, sem vencedores. A paciência tem tudo para dar match com o ambiente de trabalho porque flerta com a boa convivência, com a harmonia entre os colaboradores, com diálogos saudáveis e, com certeza, com projetos bem-sucedidos. E foi investigando sobre ser paciente no universo corporativo que descobrimos que ninguém nasce paciente. Desde que chegamos a esse mundo, choramos para conseguir comida, atenção, até para ir ao banheiro. Mas a gente aprende a esperar, treina a calma e conquista o autocontrole.

E não adianta convencer a nós mesmos de que todo mundo está correndo para ser feliz, para ter sucesso, para construir uma família, para ficar em paz. Vai chegar um momento, como esse tempo desconhecido em que estamos vivendo agora, que a única alternativa – e mais sábia – é simplesmente esperar. Porque o que está por vir pode ser infinitamente melhor do que você imagina.

“Enquanto todo mundo espera a cura do mal

E a loucura finge que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência”

Nesse caminho que trilhamos juntos em busca da paciência, entendemos que levantar a bandeira branca em meio ao conflito no trabalho é escolher refletir e agir antes da bomba estourar. Mesmo sabendo que o conflito faz parte da natureza humana, e que cada um lida com ele de uma forma diferente, você vai se surpreender ao ver que, descobrir o código para desativar uma explosão de nervos, é libertador. E a única guerra que vale a pena declarar é contra a falta de paciência, abrindo espaço para a conciliação no lugar da divergência, para a solução ao invés da reação, para o equilíbrio contra a desavença, para a colaboração ao invés da discussão, e, claro, para o autocontrole, que faz com que essa combinação seja produtiva e efetiva de verdade.

Quando a gente encontra a calma, não há comunicação que seja violenta, não tem palavra que desperte o rancor. Quando trabalhamos a nossa paciência e a colocamos em prática dentro e fora do trabalho, o senso de comunidade cresce, e o resultado só pode ser a conexão. E num ambiente onde as pessoas se sentem conectadas e engajadas, não há espaço para conflitos ou desrespeito.

Aprendemos, ainda, que quando o corpo está em equilíbrio com a nossa mente, a gente consegue encontrar a calma em meio ao caos. A gente consegue se transformar para (re)encontrar a paz que tanto queremos. Saímos de um ambiente de tensão para caminhar em nosso próprio pace, num ritmo tangível e possível, porque sabemos que o destino que nos espera vai, pelo menos, parecer mais propício à nossa própria evolução, enquanto damos a mão para o outro que segue lado a lado. Você passa a desafiar os limites da sua paciência porque sabe que não pode invadir o limite do outro nessa troca diária, onde o objetivo é seguir sem se perturbar para conseguir acolher. Sem se condicionar, sem se cobrar tanto, apenas aceitando que sim, somos todos seres em evolução, e para olhar para o lado é preciso, antes, olhar para dentro. E florescer.

“O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós”

O mundo nos cobra a todo momento. Cobra, até, soluções para o inesperado em uma pandemia que nos tirou a liberdade, algo que nos é tão precioso. Mas o que o mundo espera de nós é a sabedoria para refletir antes de agir, sem atropelos nem desassossego. Então experimente, de novo, parar. E voltar um pouco para a época em que você, criança, aprendeu muito sobre o que é paciência com sua mãe (pai ou cuidador). E foi trazendo, pela sua natureza, esses ensinamentos para a vida adulta, em todos os vieses. Foi doloroso sim, desde o início, aprender a ser paciente, mas mesmo sem perceber, você já vem vivendo esse processo há muito tempo. Se descabela, não tem como mentir, mas recobra os ânimos e recomeça quando identifica o que te perturba. E se você olhar para isso sob um novo ponto de vista, pode até entender que sair da zona de conforto é o primeiro passo para tudo mudar de lugar.

Nessa rica jornada, vimos que a paciência é uma das virtudes que a empatia desperta em cada um de nós, e quando a gente procura compreender os próprios limites da calma, ficamos tranquilos em fazer as próximas escolhas porque estamos em equilíbrio por dentro e do lado de fora. Vale a pena relembrar que os gatilhos sempre vão existir, algo sempre vai tentar tirar a sua paciência, mas também sempre vai existir uma estratégia – convencional ou diferentona – para se manter no lugar de tranquilidade. Mesmo que isso seja, simplesmente, não fazer nada além de respirar. Bem fundo.

Quando você se permite viver um dia de cada vez, tudo ao seu passo, devagar e constante, você passa a se perguntar menos e avistar o começo das respostas. Tudo muda, o tempo todo, numa velocidade que nem sempre damos conta de acompanhar. Ao mesmo tempo em que estamos vivendo a vida lá fora, somos obrigados a nos trancafiar dentro de casa para lidar com algo que não fazemos a mínima ideia de como vencer. Passamos, então, a viver uma nova ansiedade, diferente de tudo o que conhecíamos até algumas poucas semanas atrás. Como ficar imune a tudo isso esperando que tudo volte ao normal? Desculpa, mas ainda não sabemos a resposta certa, ela ainda está perdida por aí esperando para ser encontrada.

Em todas as nossas pesquisas, leituras e divagações, o que podemos te dizer é que, ainda, sabemos muito pouco sobre a paciência. Que existem vários aspectos da neurociência por trás disso e, dentro do seu cérebro, têm milhares de estímulos que conversam – ou não! – entre si, e te levam por caminhos ensolarados e sombrios. E nesse balanço, nossa paciência vai sendo moldada, entre contornos, para que possamos lidar com com as situações das mais inesperadas possíveis. Em meio a tudo isso, esperar se torna um hábito, você toma gosto por ser calmo e, assim, tomar as melhores decisões baseadas no seu autocontrole. Você aprende que esperar é um mal bem necessário, é positivo, motivador. E lindo. Exatamente porque te faz estar presente.

Vivemos em uma turbulência cotidiana. Pirar se apresenta como a primeira opção, mas é uma escolha só sua se entregar à loucura. Às vezes temos a sensação de que o futuro chegou rápido demais, mas a gente não fica o tempo todo tentando desvendar o que vai acontecer amanhã?

É aí que, mais uma vez, fazemos esse convite: pare e reflita. Mas pare hoje, pare enquanto lê esse texto, e respire. Depois, se dê ao luxo de não ficar imaginando o amanhã, mas a rever o que você aprendeu ontem, ano passado, 20 anos atrás. O passado, independente se foi bom ou ruim (e tudo depende da perspectiva), é valioso. E o agora não poderia ter um nome mais significativo: presente, uma dádiva, uma chance pronta para ser aproveitada, vivida, experimentada. É hora de deixarmos de ser imediatistas, isso vai na contramão da espera. Assim como você, o futuro pode esperar. E a paciência é exatamente a chave que você precisa para chegar lá. 

“Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida tão rara”

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