RH, criatividade e estratégia: o papel crucial da gestão de recursos humanos na transformação digital da sua empresa

Não basta deixar tudo nas mãos do “cara de TI”. Para colocar a empresa na rota da vanguarda da transformação digital é preciso que o todo o coletivo abrace a revolução. E integrar setores diversos nessa nova onda nem sempre é fácil. Com o Digitalize, a SPUTNiK desmitifica os novos tempos e convoca a verdadeira protagonista do show: a cultura de pessoas, responsável por facilitar a mediação entre o propósito de ontem e o legado de hoje, ao fazer com que cada colaborador saiba tirar do digital a ferramenta de impacto que sua empresa precisava.

A seguir, vamos contar por que a gestão de recursos humanos é tão importante para que a transformação digital seja mais do que colocar tudo na nuvem.

Por que a gestão de recursos humanos?

O RH, portanto, não é apenas o guardião da empresa que separa o joio do trigo. Como observamos, se os processos ganharam novas complexidades, a gestão de recursos humanos também se reinventou, e hoje desempenha um papel que vai muito além da escolha e do descarte de currículos. E, se formos parar um pouquinho para pensar, o setor sempre desempenhou um papel decisivo em momentos emblemáticos de mudanças no meio corporativo. Se hoje falamos em RH digital, tivemos, antes dessa etapa, o momento do RH 2.0, quando, lá atrás, as empresas passaram a reconhecer o papel estratégico do colaborador e, dessa forma, começaram a ter uma relação de parceria entre lideranças e times, mediados pela gestão de recursos humanos. Hoje, o RH 3.0 precisa acompanhar as mudanças tecnológicas, entender como elas impactam as organizações e encontrar uma balança entre o capital humano e o digital.

Reconhecemos a transformação digital como a mola propulsora das ações produtivas dos nossos tempos, mas, por trás dela, já reconhecemos que é preciso o desenvolvimento de habilidades que nem sempre estão relacionadas ao manejo das possibilidades tecnológicas que ela trouxe. É famoso o relatório do Fórum Econômico Mundial, de 2016, que aponta que as 10 competências mais valorizadas pelo mercado de trabalho, em 2020, estão no campo das soft skills — ou seja das habilidades socioemocionais. O ano está se aproximando e essa previsão já está prestes a se tornar realidade. E, a partir dela, já encontramos várias questões que adiantam o papel crucial da gestão de recursos humanos na transformação digital das empresas:

  • Team Building: O primeiro passo é garantir uma equipe unida e que esteja na mesma sintonia. Nem sempre (ou melhor, quase nunca) é possível garantir isso de forma natural. Por isso, o gestor de recursos humanos acaba sendo um dos grandes responsáveis por ações de Team Building que estreitam os laços entre os colaboradores, por meio de treinamentos corporativos e coletivos, ações de integração, entre outros momentos que são importantes para um ambiente de trabalho produtivo e, acima de tudo, saudável. 
  • Onboarding: É o momento de integrar novos colaboradores à cultura da empresa. Em realidades de trabalho cada vez mais complexas, muitas vezes o trabalho de receber um novo colaborador acaba ficando em segundo plano, o que pode causar insegurança e até mesmo uma crise de desânimo para o recém-chegado. Cabe ao RH criar pensar em ações imersivas que contribuam para a integração mas, ao mesmo tempo, já preparem o colaborador para a cultura digital em que a empresa está inserida, apresentando ferramentas ou, até mesmo, utilizando a tecnologia para experiências com jogos, cursos online interno e outros recursos que possibilitem maneiras criativas e práticas de apresentação.
  • Desenvolvimento pessoal dos colaboradores: Também cabe à gestão de recursos humanos um olhar sistêmico sobre as competências técnicas e socioemocionais demandadas pelo negócio, e que precisa estar presente entre os colaboradores. Investir na qualificação dos colaboradores é um caminho aconselhável para uma equipe mais capacitada e, ao mesmo tempo, engajada com a empresa. E nada melhor que o RH para realizar uma curadoria do que é realmente necessário e benéfico para todos os lados, sendo o responsável pela aquisição dos cursos que sejam realmente necessários para o momento que a empresa e o colaborador vivem.  
  • Cultura interna mais saudável: Se as soft skills ganharam os holofotes, podemos dizer o mesmo sobre a saúde mental no mundo do trabalho. Hoje, temos o burnout reconhecido como uma das principais causas de doenças entre trabalhadores, ocupando um lugar na lista da Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde. Uma gestão de recursos humanos efetiva precisa estar de olhos atentos às condições de trabalho das equipes, observando possíveis ameaças para a saúde física e mental dos colaboradores, ao mesmo tempo em que é o mediador entre os times e as lideranças na busca por uma cultura que traga mais flexibilidade e qualidade de vida no dia a dia do escritório.   

Na pesquisa internacional “The Future of HR”, da consultoria especializada em estratégia de negócios, Gartner, líderes e profissionais de recursos humanos foram entrevistados para contar sua percepção sobre o impacto da transformação digital no seu trabalho. Enquanto Dois terços das lideranças entrevistadas admitiram que, se não houver uma digitalização mais intensa dos seus negócios em 2020, deixarão de ser competitivos, 88% dos profissionais de RH disseram que as empresas em que atuam precisarão investir em duas ou três mais novas soluções tecnológicas para que possam acompanhar os ritmos e as demandas do mercado em relação ao seus setores. Enquanto isso a Deloitte, em pesquisa sobre tendências globais nos Recursos Humanos, constatou que 56% das empresas que entrevistou passam por um processo de redesign dos seus setores de gestão de recursos humanos, adaptando-os para que implementem ferramentas digitais e móveis no dia a dia. E 33% das equipes de RH que foram entrevistadas já utilizam tecnologias de inteligência artificial para encontrar soluções ou aplicar serviços da área. 

Um passo a passo para um RH do futuro — mas que já transforme o hoje

A Deloitte identifica três eixos de atuação que podem ser adotados pela gestão de recursos humanos:

  • Reestruturar a organização para permitir a transformação digital: A gestão de recursos humanos precisa atuar em conjunto com as lideranças para que a empresa realmente esteja preparada para redefinir processos a partir das novas possibilidades tecnológicas. 
  • Desenvolvimento de um lifecycle para o talento digital da empresa: Aqui, o RH está em uma posição estratégica de pensar em um planejamento de retenção de talentos que, para os que estão chegando, atendam às necessidades técnicas da transformação digital, mas encontrem um espaço de desenvolvimento para as habilidades socioemocionais necessárias para esse novo paradigma de trabalho. E para os que já fazem parte do time, o incentivo à capacitação, por meio de treinamentos corporativos oferecidos pela empresa desempenham um papel crucial para um planejamento de retenção de talentos. 

A partir deles, podemos encontrar algumas atitudes que, no dia a dia, já elevam o nível do impacto do RH 2.0 na cultura de pessoas da empresa em relação a:

  1. Criatividade e otimização para processos de seleção mais eficazes

Hoje, observamos a adoção de processos seletivos online, mas que buscam uma seleção que explore competências diversas do profissional e fuja de vieses que, muitas vezes, encontramos em métodos tradicionais. Jogos que exploram as soft skills dos candidatos, formulários que permitem o envio de materiais que contam momentos diversos da sua trajetória estão entre os exemplos de recursos que a transformação digital permite e que cabe à gestão de recursos humanos verificar se faz sentido para a realidade da sua empresa. 

  1. Simplifique a vida: automatize

Triagem de currículos, acompanhamento de resultados, pesquisas de satisfação entre líderes e liderados… Hoje, muitos softwares ajudam a fazer com que diversas atividades seja menos onerosas em relação a tempo e gastos financeiros da empresa. Filtre o que mercado tecnológico já oferece e que poderia ajudar o seu trabalho, otimizando um tempo que poderá ser realocado para outras atividades mais complexas. 

  1. Não fuja dos dados: colete, analise, repense

Não se apegue a soluções. E não tema os dados. Hoje, a gestão de recursos humanos precisa ter sensibilidade para compreender as necessidades e ameaças das equipes, mas também é necessário ter um senso analítico apurado, e uma disposição para produzir métricas que verifiquem pontos estratégicos dos negócios de ponta a ponta, no que diz respeito ao capital humano da empresa. Pense no investimento em ferramentas que possam contribuir para mensurar o nível de performance e entrega dos colaboradores, além do seu nível de engajamento e das possíveis necessidades que podem surgir em relação a capacitação técnica para o trabalho.  

  1. Seja flexível e faça um colaborador mais feliz

Lembra da importância do RH para uma cultura de trabalho mais flexível e saudável? Para isso, a transformação digital também pode ser utilizada a favor. Home office, uso de métodos ágeis que envolvem softwares de gerenciamento de trabalho, são algumas das soluções que, aos poucos,podem ser implementadas para contribuir para a produtividade e para a qualidade de vida dos colaboradores. Pense em ferramentas que também possam fazer uma mensuração precisa do nível de satisfação e de produtividade interna, para que possam ajudar a gestão de recursos humanos a cortar o mal pela raiz diante de qualquer ameaça à saúde física e mental dos times.   

  1. Não tenha medo do redesign e mude a rota, se for preciso 

Não tema dar o primeiro passo quando verificar que, afinal, a empresa ainda está navegando por caminhos diferentes, e mais distantes, do digital. Já é quase um consenso de que quem não investir na tecnologia, ficará para trás. Evite esse destino para a sua empresa e seja a ponte de mediação para novas possibilidades que só vão trazer impactos positivos para o seu trabalho e para os negócios.

A transformação digital pode oferecer infinitas possibilidades para negócios de todos os nichos, mas é muito importante encará-la como um processo que, lá no fundo, reestrutura não apenas os nossos processos de produção, mas a forma como nos relacionamos com nossos vínculos profissionais, o que inclui desde a nossa perspectiva com a cultura e os propósitos da empresa até o trabalho em equipe. Nessa transição, a gestão de recursos humanos desempenha um papel essencial para que o ambiente de trabalho, mais do que um espaço antenado às tendências que fazem a roda do mercado gerar, continue sendo um local de criatividade e de ações que provocam impacto na sociedade e até mesmo nas nossas vidas.

Graças ao RH, podemos pensar que, se organizar direitinho, todo mundo encontra o seu lugar ao sol nesses novos tempos.

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