Equidade? Ou você aposta nela ou fica para trás

Representatividade importa. Basta estar minimamente conectado com equidade para saber disso. Mesmo parecendo óbvio, muitos ainda não reconhecem, de fato, sua importância. Em outras palavras, tratam a pauta da equidade de idade, raça, gênero e cor, entre outras questões, como uma forma de se aproximar de um público cada vez mais diverso. Mas as coisas só mudam, de verdade, quando somos obrigados a olhar para nosso próprio umbigo.

No curso Plural, por exemplo, partimos da premissa de que diversidade é mais do que um hype. É uma urgência que convida a pensar em novos paradigmas nas nossas relações de trabalho. Porque o significado de equidade não é utilizar a ideia como uma iniciativa exemplar de inovação. Trata-se, na verdade, de encará-la como um pré-requisito importante para novos caminhos nos negócios, uma vez que é impossível atingir o próximo nível sem investir em equidade. Entenda mais a seguir.

Identificando o significado de equidade na prática

Reconhecemos equidade como um princípio que busca a justiça nas relações, ou seja, é nosso termômetro para identificar desigualdades e pensar em iniciativas que possam diminuí-las. É a partir do significado de equidade que passamos a pensar, por exemplo, na urgência em adotar medidas efetivas de inclusão em empresas que querem diversificar, mas ainda não oferecem condições de trabalho que implicam em mudanças reais.

De modo geral, podemos identificar os seguintes benefícios proporcionados por uma boa política de equidade — quando colocada em prática ao lado de parâmetros bem definidos de inclusão e diversidade:

  • Soluções reais
    Pessoas com backgrounds totalmentes distintos contribuem para que as ações na empresa tenham mais sintonia com a complexidade social que vivemos, já que teremos pontos de vista que, juntos, se complementam e contemplam realidades sociais diversas. Aqui, empatia e lugar de fala são ingredientes poderosíssimos para decisões coerentes e eficazes.
  • Soluções criativas
    O debate de ideias, a negociação de opiniões conflitantes e repertórios culturais diversos contribuem para que chegue à mesa respostas mais criativas e que, de quebra, possam ser a porta de entrada para caminhos mais inovadores da empresa.
  • Soluções inovadoras
    Diversidade gera inovação e não a exemplifica. Hoje, produtos inovadores são feitos a partir da presença real de profissionais que contam com origens diversas de formação acadêmica e social e que vão permitir um anseio maior por responder aos problemas de uma sociedade cada vez menos heterogênea.

Números em marcha lenta

Temos ferramentas que ajudam a entender por que a equidade é tão importante para fazer com que a diversidade não seja apenas um artigo de luxo nas políticas da sua empresa: os números. Todos eles demonstram como ainda enfrentamos condições desiguais de trabalho entre vários grupos que não estão dentro da hegemonia homem-branco-heterossexual das empresas.

Na pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça, do IBGE, encontramos o dado de que, em 2018, mulheres negras receberam menos da metade do salário de homens brancos. Mulheres brancas também ganham menos do que eles, mas estão na frente de mulheres negras e de homens negros. Entre os cargos gerenciais, apenas 29,9% são ocupados por pessoas negras. E uma comparação direta: com um nível de instrução superior, uma pessoa branca ganha 45% a mais do que uma pessoa negra na mesma situação.

A população LGBT também enfrenta diversos desafios no mundo do trabalho. No relatório Out to Succeed: realising the full potential of your LGBT talent (em tradução livre: Para progredir: percebendo todo o potencial do seu talento LGBT), realizado a partir de uma pesquisa da PwC, encontramos que, se em todo o mundo, 85% dos funcionários LGBT entrevistados se consideram acolhidos no trabalho, apenas 29% das empresas que estão inseridos contam com programas de retenção de talentos LGBT. Isso para destacar dois bons exemplos de como apenas a diversidade não resolve, por si só, questões de desigualdade estruturais nas empresas, em relação a grupos sociais historicamente vulneráveis.

Não basta convidar para a festa 

Diversificar a equipe não é suficiente. O mito do famoso estágio afirmativo não basta. Quando falamos no real significado de equidade, não estamos falando apenas em aumentar o número de estagiários negros, LGBTQ+, PcD e mulheres. Mas em mexer, de fato, na estrutura hierárquica da empresa. Afinal, quantas CEO mulheres você conhece? E delas, quantas são negras ou assumidamente LGBTQ+?

Empresas começam a identificar a equidade como uma vantagem competitiva estratégica. Uma pesquisa global realizada pela DDI, em parceria com a Ernst & Young, identificou resultados financeiros superiores em empresas que investiram ao menos 30% do seu quadro de pessoas com diversidade de gênero e mais de 20% em cargos de liderança. E quando a diversidade era mais expressiva em quadros sênior ou até mesmo em toda a equipe da empresa, as chances de crescimento era 1,4 vezes maior em comparação a outras empresas.

O que fazer, portanto, para fazer a lição de casa e, ao mesmo tempo, alcançar uma vantagem competitiva tão expressiva? Temos alguns inputs que podem ajudar:

Incentive a mentoria: motive as lideranças da empresa a abraçarem um estagiário ou colaborador em nível inferior, que contam com grande potencial de crescimento e, além disso, podem fomentar a prática da inclusão que o time precisa. Mais do que oferecer oportunidade, a prática também proporciona um intercâmbio de ideias que pode gerar boas surpresas a longo prazo.

Reveja constantemente as políticas de diversidade da empresa: Crie métricas que possam fazer mensurações precisas das conquistas e desafios que vocês já conquistaram em relação a decisões de diversidade e equidade. Não basta criar uma cartilha de boas práticas e respeito; é importante um processo de auto julgamento para rever se, de fato, as estruturas da empresa estão sendo reformuladas a partir de uma política eficaz de equidade.

Crie metas para ocupação de cargos estratégicos: Reformule gerências. Crie campanhas para que o departamento de pessoas no processo seletivo busque profissionais que entram em perfis que vão diversificar a empresa, mas em posições estratégicas de liderança.

Incentive o intraempreendedorismo em todas as bases: contamos o poder transformador que o intraempreendedorismo pode trazer para a empresa. Faça com que até o estagiário tenha autonomia para sugerir coisas novas. Permita que o senso de dono seja uma experiência compartilhada em todas as bases do time. Com certeza, isso aumenta a chance da próxima ideia de impacto vir de áreas que concentram mentes diversificadas e que, a partir da experiência, podem assumir um protagonismo maior daqui pra frente.

Diversidade é um conceito lindo e que contribui para relações profissionais mais humanas, ricas e saudáveis. Mas todo cuidado é pouco quando queremos que os negócios impactem realidades por meio das decisões que tomamos internamente. Por isso, equidade é a palavra-chave que faz a inclusão acontecer. Traz na linha de frente novos protagonistas que, o mercado já sabe, carregam consigo os novos ares que exigem nossos tempos. Resta saber se sua empresa também quer assumir os primeiros lugares no pódio ou se insistirá em viver um presente que já ficou no passado há muito tempo. 

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